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22.6.10

Ivan, a nova produção da Black Vomit Filmes

Depois do elogiado documentário “Guidable — A Verdadeira História do Ratos de Porão” (2009), o diretor Fernando Rick, de 27 anos, volta a dirigir um filme "doidão", como ele próprio classifica seu curta-metragem "Ivan" (2010). E filmes doidos não faltam no currículo dele, responsável pelas obras "Rubão, o Canibal" (2002), "Feto Morto" (2003) e "Coleção de Humanos Mortos" (2005).

É perceptível como Rick tem evoluído como diretor a cada filme de sua produtora, a Black Vomit Filmes. Assim que saiu da adolescência, Rick pariu "Rubão" e "Feto Morto" ao ser influenciado pelas tranqueiras geniais da Troma (produtora americana de filmes independentes criada por Lloyd Kaufman), que misturam comédia, violência e sexo.

Aos 22 anos, Rick deixou o humor de lado e regurgitou "Coleção de Humanos Mortos", um filme extremo com muitas cenas de tortura. Guardadas as devidas proporções, pois estamos no Brasil, onde ser cineasta deve ser um parto, nessa fase o trabalho de Rick se aproxima de cineastas do naipe de Jörg Buttgereit e Nacho Cerdá.


"Ivan", rodado no mês passado no Centro de São Paulo, é um "drama de humor negro", nas palavras do ator Rubens Mello, que interpreta o travesti Darlene Starr. O curta tem como protagonista o ator André Ceccato, que já participou de vários filmes brasileiros, entre eles "O país dos tenentes" (1987), "Bicho de sete cabeças" (2001) e "Carandiru" (2003).

Ceccato é Ivan, dono de um teatro decadente que precisa vestir uma fantasia de Mickey sob um sol escaldante para entregar panfletos e, assim, garantir o seu sustento. Ele mora num cortiço e seus únicos companheiros são o travesti Darlene Starr e um rapaz que ganha a vida fazendo cover de Michael Jackson em botecos e outros muquifos.


A vida de Ivan sofre uma reviravolta depois que ele vai fazer um teste de figurante numa emissora de TV. No caminho para casa, Ivan vê Darlene ser espancada por delinquentes juvenis. Ele tenta ajudá-la, mas também acaba agredido até seu rosto ficar desfigurado. Apesar de tanto sofrimento, Ivan conseguirá sua redenção.

"É meu primeiro curta com uma produção grande, com uma equipe e equipamentos adequados. O resultado está ficando muito foda, acima até do esperado. Em grande parte, isso se deve ao talento de todo mundo que ralou igual camelo por acreditar nesse projeto bizarro", diz Rick.


"Espero que o público simpatize com o filme, porque deu um trabalho do cão para fazê-lo. Hoje em dia não tem muita gente, pelo menos no Brasil, que se dedica a um projeto maluco desses, com personagens (que vivem) à beira da sociedade", continua o diretor, que mais uma vez trabalhou ao lado de Marcelo Appezzato, co-diretor de "Guidable".

"Quis trabalhar esses personagens de uma forma bizarra, ao estilo (dos cineastas David) Cronemberg e Gaspar Noé, e não como os personagens marginais da favela e do sertão que são mostrados com frequência no cinema brasileiro. Ninguém aguenta mais (esses tipos de personagens)", conclui Rick.

Mondo Cane no set de filmagem
Mondo Cane acompanhou um dia de filmagem de "Ivan" porque seu escriba foi convidado para fazer uma figuração numa das cenas do filme. Não dá para revelar muito dessa participação sem entregar o desfecho do filme. Esperem para ver "Ivan" até o final deste ano em um festival perto de você.

Na foto acima, os boas-pintas Fausto Salvadori, André Ceccato e Gio Mendes

12.7.09

No covil dos Ratos de Porão

O diretor Fernando Rick não teve nenhum problema para entrar no covil do Ratos de Porão, banda cuja trajetória de 28 anos é marcada por histórias recheadas com drogas, brigas entre os integrantes e outras loucuras. Afinal de contas, o paulistano de 25 anos já tinha dirigido filmes de terror como Rubão, o Canibal (2002), Feto Morto (2003) e Coleção de Humanos Mortos (2005), antes de finalizar o documentário “Guidable — A Verdadeira História do Ratos de Porão”, que foi exibido em maio no Cine Olido, no Centro de São Paulo. Ele contou com a ajuda de Marcelo Appezzato, co-diretor da cinebiografia.

A ideia do documentário surgiu em 2006, quando Rick manteve um primeiro contato com a banda para dirigir o videoclipe da música Covardia de Plantão. Por causa das cenas explícitas de violência, o clipe não pôde ser exibido na MTV e virou febre entre os internautas. “O clip foi censurado pela Deckdisc (gravadora do Ratos)”, diz Rick. O vocalista João Gordo, também apresentador da MTV, resolveu convidar o jovem diretor para fazer o documentário da banda, uma das mais importantes do mundo na cena punk/hardcore/crossover.

“O Gordo entrou como produtor e não chegou a gastar R$ 5 mil no projeto”, recorda Rick. Segundo ele, os equipamentos para as filmagens foram cedidos por amigos e toda a equipe responsável pela fotografia, iluminação e áudio do filme trabalhou sem receber qualquer remuneração. “Todo mundo trampou de graça, foi tudo na brodagem”, conta Rick. As gravações do documentário ocorreram entre janeiro de 2007 e novembro de 2008. A edição foi concluída no começo deste ano e resultou num filme de 121 minutos.

Rick ouviu todos os integrantes que passaram pela banda e colheu imagens históricas para contar a história do grupo. “Guidable” não censura nada da vida dos integrantes do Ratos. Jabá, primeiro baixista da banda, estava internado na Febem por assalto à mão armada e, assim que saiu de lá, ajudou a fundar o Ratos com os amigos Jão e Betinho. Anos depois, Jabá foi expulso da banda por estar viciado em crack. Os membros do Ratos falam abertamente sobre o envolvimento deles com as drogas e não deixam de criticar um ao outro.

Rick lembra que sofreu para fazer a edição final do documentário, pois precisou deixar muito material de fora. “Se fosse usar tudo, daria uns 30 DVDs, cada um deles com oito horas de duração”, conta o diretor. Os fãs do Ratos serão recompensados no futuro, pois Rick promete lançar um DVD duplo com cinco horas de material extra.