14.12.17
O nu como forma de expressão artística em plena ditadura militar
Correndo o risco de ser preso em plena ditadura militar, um grupo de artistas realizava performances sem roupa na praia de Ipanema à luz do dia, arrancando aplausos da multidão. E se isso acontecesse hoje? O material abaixo foi escaneado da edição 81 da Playboy, de abril de 1982. Clique na foto abaixo para ampliar a imagem e poder ler o conteúdo da revista.
29.10.14
Deu a louca no cinema do Paraná
Os Galhos do Casamento, O Diabo Tem Mil Filhos e outros filmes de apelo popular produzidos em Curitiba nos anos 70 e 80 continuam esquecidos do público e da crítica especializada
Por Ayrton Baptista Junior
Houve um sonho de cinema popular paranaense entre os anos 70 e 80. Sonho, não. Realidade! Aprendendo no improviso, longe de faculdades e sem apoio de governos, um grupo radicado em Curitiba colocou em prática a máxima do Cinema Novo (“Uma câmera na mão, uma ideia na cabeça”) mesmo com pretensões totalmente alheias às da turma de Glauber Rocha.
Não se espante caso você não tenha ouvido falar destes filmes: Os Galhos do Casamento, Deu a Louca em Vila Velha, Inocentes, porém Ingênuos, Caminhos Contrários, O Diabo Tem Mil Filhos, E Ninguém Ficou de Pé. Encontrar as cópias é tarefa para caçadores da arca perdida.
Um dos pontos de partida dessa história é um ônibus de Camboriú, que trouxe para Curitiba o menino Giovani Cesconetto. Aos 13 anos, ele fugiu da casa dos pais. “Conhecia o motorista. Viajei escondido dentro de uma caixa do papelão”, lembra o hoje dono de um teatro infantil, o Espaço da Criança, em Santa Felicidade.
Antes de se tornar ator, diretor, roteirista e cenógrafo, Cesconetto viveu três meses na Praça Santos Andrade antes de ser levado a um internato, onde começou a estudar teatro. Entre um e outro ensaio, arranjou emprego numa malharia e conheceu o tecelão Arlindo Ponzio, recém-chegado de Arapongas.
Ponzio sonhava com cinema desde a infância. Falava das fitas que via e até das que sequer existiam:
— O bandido entrou na igreja, roubou a santa e a cidade inteira foi atrás dele. Você viu esse filme?
— Não. Passou aonde?
— Em lugar nenhum. Eu inventei o filme agora.
Enquanto Cesconetto e Ponzio seguiam com a prosa na malharia, Florisbal Lopes vendia equipamentos de cinema, trabalhava para distribuidoras de filmes e até já havia produzido um longa-metragem: O Diabo Tem Mil Filhos, com direção e argumento do capixaba Adalberto Pena Filho. O diabo é que a Censura proibiu a exibição. Naqueles dias de 1970, a moral e os bons costumes não deixariam de condenar uma mulher (Sabrina Marchesini) que se casava virgem e se via obrigada a trair o marido (Rogério Dias, cultuado artista plástico) apenas para cumprir um pacto demoníaco (Nelson Morrison).
Catarinense de Mafra, Florisbal engoliu o prejuízo dos dias perdidos em Antonina e Caiobá e foi à Rua do Triunfo, fervo do cinema da Boca do Lixo paulistana. Em improvisadas mesas de bares daquela rua, cerca de cem filmes eram planejados anualmente. Planejados e realizados, é bom frisar. Dramas, policiais, comédias eróticas e tudo o mais que fosse rápido, barato e de retorno imediato. Não havia tempo para elucubrações.
Sem pensar muito, mais um catarinense, Euclides Fantin, de Itá, aceitou ser o fotógrafo da nova trama de Florisbal: E Ninguém Ficou de Pé, uma sátira ao faroeste italiano. O diretor paulista José Vedovato (cenógrafo de imponentes produções, como O Sobrado, de 1956) uniu durante dois meses de filmagem ídolos de telecatch (Brasão, Metralha e Jóia, O Psicodélico) e o apelo circense dos Irmãos Queirolo.
“Até hoje, passam esse filme em Campo do Tenente”, orgulha-se Florisbal, que apostou mais fichas nos Queirolo em Inocentes, Porém Ingênuos. “Mas ficou tão ruim que eu nem fiz questão de passar”, afirma o produtor. Ele parecia prever que a próxima sessão seria melhor.
Na porta da Globo
“Eu nunca tinha visto uma câmera. Por isso, trouxe de São Paulo o Hercules Brezeghello, um profissional experiente, que emprestou todo o equipamento. E o Florisbal também me apresentou o Euclides Fantin, que era câmera e já tinha feito direção de fotografia”, conta Giovanni Cesconetto.
Com a câmera já disponível e com o dinheiro de Ponzio, Cesconetto foi atrás de um ator famoso na porta da Rede Globo, no Rio de Janeiro. Tarcisio Meira e Francisco Cuoco estavam apressados naquela tarde. “Quem parou foi o Cláudio Cavalcanti. Acertamos o cachê naquela hora. E, para a nossa surpresa, ele veio mesmo”. Quando desembarcou em Curitiba, Cavalcanti ainda saboreava o sucesso da novela Irmãos Coragem.
A primeira produção da dupla Ponzio-Cesconetto foi Caminhos Contrários, filmada em bairros da capital, como o Sítio Cercado e o Atuba. Na época, os curitibanos só viam engarrafamento quando o locutor Sergio Chapelin falava do trânsito de São Paulo no Jornal Nacional. Por isso, a dupla conseguiu com facilidade duas placas de trânsito para que as filmagens de perseguições de carros não fossem atrapalhadas em Curitiba.
Filme feito, Sergio Chapelin fez a voz do trailer, Claudio Cavalcanti permaneceu em Curitiba para a divulgação, Ponzio comprou minutos de publicidade na TV Paranaense e, brilhando, os olhos da equipe viram filas de mais uma de quadra em busca um lugar no cine São João, que abrigava 2 mil espectadores. “Em Curitiba foi um sucesso, mas só em Curitiba”, recorda Cesconetto.
Cadê as peladas?
Ponzio levou Caminhos Contrários para exibidores paulistanos e cariocas. Os caminhos pareciam mesmo contrários fora do Paraná. No Rio, o poderoso Severiano Ribeiro, dono da maior rede de sala de cinemas do país, perguntou: “Tem mulher pelada?”. Não tinha. E a paciência de Severiano não passou do terceiro minuto.
Se o pedido era por mulher pelada, Os Galhos do Casamento oferecia três divas do cinema erótico: Aldine Müller, Helena Ramos e Zélia Martins. Às estrelas importadas de São Paulo, o produtor Florisbal Lopes adicionou o primeiro time de atores curitibanos dos anos 70: Nelson Morrison, Lala Schneider, José Maria Santos, Roberto Menghini, Danilo Avelleda e Airton Müller. Delcy D’Ávila também foi chamada, mas achou a trama um pouco picante e pulou fora d’Os Galhos.
Gilda Elisa, que, em seguida, estrelaria a novela Maria Bueno, da TV Paraná, ficou com o papel de Delcy, sua tia. Antes, porém, Gilda avisou o diretor peruano Sergio Segall, cineasta recém-saído da publicidade paranaense: “Cena de cama eu não faço. Meu pai me mata!”.
Como o cartaz de Os Galhos do Casamento destacava a sensualidade das atrizes, ficava claro que o programa era para homem. Naqueles dias, não era recomendável que uma mulher respeitável entrasse num cinema para uma história de tamanho ultraje — a de esposas revoltadas que arranjavam amantes. Pegava mal até para mulheres do elenco do filme. “A Lala Schneider foi durante uma sessão normal, depois da estreia, com um lenço na cabeça para não ser reconhecida”, entrega, anos depois, Gilda Elisa.
Sobrou filme, faltou público
Depois de ver o cine São João lotado durante as exibições de Caminhos Contrários, Arlindo Ponzio verificou entusiasmado que a sobra do material filmado dava paramais uma fita. Junto com os sempre fiéis Giovani Cesconetto e Euclides Fantin, o produtor bancou mais cenas em Ponta Grossa e nasceu Deu a Louca em Vila Velha, uma comédia com perseguições em todas as velocidades, de charretes a caminhões.
Cesconetto se desiludiu: “Ninguém viu. A estreia teve apenas um espectador”. O solitário da plateia não era parente de ninguém da equipe. “Era o ator que fazia um padre”, diz. Nem os figurantes apareceram, talvez porque já estivessem satisfeitos com os tantos churrascos pagos por Ponzio.
Se em Ponta Grossa ninguém viu, no Norte do estado Deu a Louca em Vila Velha garantiu os primeiros 15 minutos de fama para o então estudante de teatro Reinaldo Bessa, que apareceu em duas cenas: “Quando fui visitar minha família, em Jacarezinho, vi o cartaz do filme, com a minha foto, no supermercado. Amigos da família me reconheceram”, diverte-se o colunista social da Gazeta do Povo.
Um ônibus e ponto final
Mesmo sem nudez, Caminhos Contrários agradou ao italiano Rafaelle Rossi, diretor do primeiro longa brasileiro de sexo explícito, Coisas Eróticas, de 1982. Rossi comprou os filmes, manteve a trama e os créditos com os nomes da equipe paranaense. O homem de Coisas, no entanto, fez alterações. “O Rossi enxertou sexo explícito e mudou o nome”, revela Cesconetto. E, assim, Caminhos Contrários viajou país a fora com o sugestivo título de Bacanal do Terceiro Grau. “Vendemos o filme por 30 latas de negativo e um ônibus”, conta.
Se a onda era sexo explícito, Ponzio e Cesconetto resolveram apostar nela e usaram o ônibus para trazer de São Paulo algumas atrizes para rodar as cenas de Campeonato de Sexo. O filão, entretanto, não correspondia ao cinema pensado pelo grupo uma década antes — e todos se afastaram da produção.
A televisão fisgou o ator Giovanni Cesconetto, que vestiu a pele do Palhaço Pingão. Mesmo destino teve o câmera Euclides Fantin. Arlindo Ponzio, que já possuía lojas de disco no centro de Curitiba, foi atrás de outro sonho, o do ouro, e tornou-se um dos garimpeiros do Rio Madeira. Morreu há uma década, longe do cinema.
Também distante das câmeras, porém muito vivo, Florisbal Lopes vive num sítio em Mafra, Santa Catarina. “Eu gosto de mato, passarinho e erva-mate”, diz, sem pedir homenagem ao cinema que ele sonhou. E fez.
(Matéria publicada na revista Helena nº 4, da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná)
Por Ayrton Baptista Junior
Houve um sonho de cinema popular paranaense entre os anos 70 e 80. Sonho, não. Realidade! Aprendendo no improviso, longe de faculdades e sem apoio de governos, um grupo radicado em Curitiba colocou em prática a máxima do Cinema Novo (“Uma câmera na mão, uma ideia na cabeça”) mesmo com pretensões totalmente alheias às da turma de Glauber Rocha.
Não se espante caso você não tenha ouvido falar destes filmes: Os Galhos do Casamento, Deu a Louca em Vila Velha, Inocentes, porém Ingênuos, Caminhos Contrários, O Diabo Tem Mil Filhos, E Ninguém Ficou de Pé. Encontrar as cópias é tarefa para caçadores da arca perdida.
Um dos pontos de partida dessa história é um ônibus de Camboriú, que trouxe para Curitiba o menino Giovani Cesconetto. Aos 13 anos, ele fugiu da casa dos pais. “Conhecia o motorista. Viajei escondido dentro de uma caixa do papelão”, lembra o hoje dono de um teatro infantil, o Espaço da Criança, em Santa Felicidade.
Antes de se tornar ator, diretor, roteirista e cenógrafo, Cesconetto viveu três meses na Praça Santos Andrade antes de ser levado a um internato, onde começou a estudar teatro. Entre um e outro ensaio, arranjou emprego numa malharia e conheceu o tecelão Arlindo Ponzio, recém-chegado de Arapongas.
Ponzio sonhava com cinema desde a infância. Falava das fitas que via e até das que sequer existiam:
— O bandido entrou na igreja, roubou a santa e a cidade inteira foi atrás dele. Você viu esse filme?
— Não. Passou aonde?
— Em lugar nenhum. Eu inventei o filme agora.
Enquanto Cesconetto e Ponzio seguiam com a prosa na malharia, Florisbal Lopes vendia equipamentos de cinema, trabalhava para distribuidoras de filmes e até já havia produzido um longa-metragem: O Diabo Tem Mil Filhos, com direção e argumento do capixaba Adalberto Pena Filho. O diabo é que a Censura proibiu a exibição. Naqueles dias de 1970, a moral e os bons costumes não deixariam de condenar uma mulher (Sabrina Marchesini) que se casava virgem e se via obrigada a trair o marido (Rogério Dias, cultuado artista plástico) apenas para cumprir um pacto demoníaco (Nelson Morrison).
Catarinense de Mafra, Florisbal engoliu o prejuízo dos dias perdidos em Antonina e Caiobá e foi à Rua do Triunfo, fervo do cinema da Boca do Lixo paulistana. Em improvisadas mesas de bares daquela rua, cerca de cem filmes eram planejados anualmente. Planejados e realizados, é bom frisar. Dramas, policiais, comédias eróticas e tudo o mais que fosse rápido, barato e de retorno imediato. Não havia tempo para elucubrações.
Sem pensar muito, mais um catarinense, Euclides Fantin, de Itá, aceitou ser o fotógrafo da nova trama de Florisbal: E Ninguém Ficou de Pé, uma sátira ao faroeste italiano. O diretor paulista José Vedovato (cenógrafo de imponentes produções, como O Sobrado, de 1956) uniu durante dois meses de filmagem ídolos de telecatch (Brasão, Metralha e Jóia, O Psicodélico) e o apelo circense dos Irmãos Queirolo.
“Até hoje, passam esse filme em Campo do Tenente”, orgulha-se Florisbal, que apostou mais fichas nos Queirolo em Inocentes, Porém Ingênuos. “Mas ficou tão ruim que eu nem fiz questão de passar”, afirma o produtor. Ele parecia prever que a próxima sessão seria melhor.
Na porta da Globo
“Eu nunca tinha visto uma câmera. Por isso, trouxe de São Paulo o Hercules Brezeghello, um profissional experiente, que emprestou todo o equipamento. E o Florisbal também me apresentou o Euclides Fantin, que era câmera e já tinha feito direção de fotografia”, conta Giovanni Cesconetto.
Com a câmera já disponível e com o dinheiro de Ponzio, Cesconetto foi atrás de um ator famoso na porta da Rede Globo, no Rio de Janeiro. Tarcisio Meira e Francisco Cuoco estavam apressados naquela tarde. “Quem parou foi o Cláudio Cavalcanti. Acertamos o cachê naquela hora. E, para a nossa surpresa, ele veio mesmo”. Quando desembarcou em Curitiba, Cavalcanti ainda saboreava o sucesso da novela Irmãos Coragem.
A primeira produção da dupla Ponzio-Cesconetto foi Caminhos Contrários, filmada em bairros da capital, como o Sítio Cercado e o Atuba. Na época, os curitibanos só viam engarrafamento quando o locutor Sergio Chapelin falava do trânsito de São Paulo no Jornal Nacional. Por isso, a dupla conseguiu com facilidade duas placas de trânsito para que as filmagens de perseguições de carros não fossem atrapalhadas em Curitiba.
Filme feito, Sergio Chapelin fez a voz do trailer, Claudio Cavalcanti permaneceu em Curitiba para a divulgação, Ponzio comprou minutos de publicidade na TV Paranaense e, brilhando, os olhos da equipe viram filas de mais uma de quadra em busca um lugar no cine São João, que abrigava 2 mil espectadores. “Em Curitiba foi um sucesso, mas só em Curitiba”, recorda Cesconetto.
Cadê as peladas?
Ponzio levou Caminhos Contrários para exibidores paulistanos e cariocas. Os caminhos pareciam mesmo contrários fora do Paraná. No Rio, o poderoso Severiano Ribeiro, dono da maior rede de sala de cinemas do país, perguntou: “Tem mulher pelada?”. Não tinha. E a paciência de Severiano não passou do terceiro minuto.
Se o pedido era por mulher pelada, Os Galhos do Casamento oferecia três divas do cinema erótico: Aldine Müller, Helena Ramos e Zélia Martins. Às estrelas importadas de São Paulo, o produtor Florisbal Lopes adicionou o primeiro time de atores curitibanos dos anos 70: Nelson Morrison, Lala Schneider, José Maria Santos, Roberto Menghini, Danilo Avelleda e Airton Müller. Delcy D’Ávila também foi chamada, mas achou a trama um pouco picante e pulou fora d’Os Galhos.
Gilda Elisa, que, em seguida, estrelaria a novela Maria Bueno, da TV Paraná, ficou com o papel de Delcy, sua tia. Antes, porém, Gilda avisou o diretor peruano Sergio Segall, cineasta recém-saído da publicidade paranaense: “Cena de cama eu não faço. Meu pai me mata!”.
Como o cartaz de Os Galhos do Casamento destacava a sensualidade das atrizes, ficava claro que o programa era para homem. Naqueles dias, não era recomendável que uma mulher respeitável entrasse num cinema para uma história de tamanho ultraje — a de esposas revoltadas que arranjavam amantes. Pegava mal até para mulheres do elenco do filme. “A Lala Schneider foi durante uma sessão normal, depois da estreia, com um lenço na cabeça para não ser reconhecida”, entrega, anos depois, Gilda Elisa.
Sobrou filme, faltou público
Depois de ver o cine São João lotado durante as exibições de Caminhos Contrários, Arlindo Ponzio verificou entusiasmado que a sobra do material filmado dava paramais uma fita. Junto com os sempre fiéis Giovani Cesconetto e Euclides Fantin, o produtor bancou mais cenas em Ponta Grossa e nasceu Deu a Louca em Vila Velha, uma comédia com perseguições em todas as velocidades, de charretes a caminhões.
Cesconetto se desiludiu: “Ninguém viu. A estreia teve apenas um espectador”. O solitário da plateia não era parente de ninguém da equipe. “Era o ator que fazia um padre”, diz. Nem os figurantes apareceram, talvez porque já estivessem satisfeitos com os tantos churrascos pagos por Ponzio.
Se em Ponta Grossa ninguém viu, no Norte do estado Deu a Louca em Vila Velha garantiu os primeiros 15 minutos de fama para o então estudante de teatro Reinaldo Bessa, que apareceu em duas cenas: “Quando fui visitar minha família, em Jacarezinho, vi o cartaz do filme, com a minha foto, no supermercado. Amigos da família me reconheceram”, diverte-se o colunista social da Gazeta do Povo.
Um ônibus e ponto final
Mesmo sem nudez, Caminhos Contrários agradou ao italiano Rafaelle Rossi, diretor do primeiro longa brasileiro de sexo explícito, Coisas Eróticas, de 1982. Rossi comprou os filmes, manteve a trama e os créditos com os nomes da equipe paranaense. O homem de Coisas, no entanto, fez alterações. “O Rossi enxertou sexo explícito e mudou o nome”, revela Cesconetto. E, assim, Caminhos Contrários viajou país a fora com o sugestivo título de Bacanal do Terceiro Grau. “Vendemos o filme por 30 latas de negativo e um ônibus”, conta.
Se a onda era sexo explícito, Ponzio e Cesconetto resolveram apostar nela e usaram o ônibus para trazer de São Paulo algumas atrizes para rodar as cenas de Campeonato de Sexo. O filão, entretanto, não correspondia ao cinema pensado pelo grupo uma década antes — e todos se afastaram da produção.
A televisão fisgou o ator Giovanni Cesconetto, que vestiu a pele do Palhaço Pingão. Mesmo destino teve o câmera Euclides Fantin. Arlindo Ponzio, que já possuía lojas de disco no centro de Curitiba, foi atrás de outro sonho, o do ouro, e tornou-se um dos garimpeiros do Rio Madeira. Morreu há uma década, longe do cinema.
Também distante das câmeras, porém muito vivo, Florisbal Lopes vive num sítio em Mafra, Santa Catarina. “Eu gosto de mato, passarinho e erva-mate”, diz, sem pedir homenagem ao cinema que ele sonhou. E fez.
(Matéria publicada na revista Helena nº 4, da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná)
7.7.14
Kid Bengala entra de cabeça e tudo na política (outra vez)
Com quase 60 anos de idade, Clóvis Basílio dos Santos,o famoso Kid Bengala, resolveu mais uma vez tentar a carreira política. Candidato a deputado estadual pelo PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), o ator pornô promete ser pau pra toda obra, apesar de não ter propostas definidas para tentar conquistar o eleitorado. Essa não foi a primeira vez que Kid Bengala se enfiou na política. Confira a tentativa anterior do astro pornô clicando aqui.
Veja abaixo a divertida entrevista que o candidato "tampax" concedeu à TV Folha:
Veja abaixo a divertida entrevista que o candidato "tampax" concedeu à TV Folha:
Marcadores:
Brasileirinhas,
filmes pornô,
Kid Bengala
6.7.14
Zilda Mayo enfrenta a fofoqueira da Praça É Nossa
Nos anos 80, a atriz Zilda Mayo participou do quadro da fofoqueira Vamércia, interpretada pela humorista Maria Tereza, no programa A Praça É Nossa, no SBT. Zilda lembrou que seu primeiro trabalho no cinema foi no filme Ninguém Segura Essas Mulheres (1976), atuando no episódio O Furo, dirigido por José Miziara. "Foi ele (Miziara) que deu o primeiro empurrão na minha carreira", disse a atriz. Imagina como a fofoqueira interpretou essa inocente frase.
Marcadores:
Carlos Alberto de Nóbrega,
José Miziara,
Zilda Mayo
23.6.14
Vanessa Alves divulga peça infantil no programa Perdidos na Noite (1988)
O ator Wagner Maciel e as atrizes Stela Maia, Luciana Vendramini e Vanessa Alves divulgam a peça infantil "Rapunzel" no programa Perdidos na Noite, apresentado por Fausto Silva, na TV Bandeirantes. O ano era 1988. A peça, com texto de Walcir Carrasco e direção de Jean Garrett, estava em cartaz no Teatro Bibi Ferreira, na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, 931, na Bela Vista, região central de São Paulo. Os atores Eudes Carvalho e Renato Dubal também integravam o elenco.
Marcadores:
Jean Garrett,
Luciana Vendramini,
Vanessa Alves,
Wagner Maciel
7.2.14
Morre Nabor Rodrigues, ator de vários filmes de Tony Vieira
A Boca do Cinema de São Paulo sofreu mais uma perda irreparável. O ator e diretor de produção Nabor Rodrigues morreu ontem à noite na capital paulista. A causa da morte não foi divulgada.
Nabor foi protagonista do filme "Manelão, o caçador de orelhas" (1982), de Ozualdo Candeias, e atuou em várias produções de Tony Vieira, entre elas "As amantes de um canalha" (1977), "O matador sexual" (79), "Tortura Cruel" (80) e "Desejos sexuais de Elza" (82).
Nabor também trabalhou como diretor de produção dos filmes "O doador sexual" (80), de Henrique Borges, e "O tônico do sexo" (84), de Hércules Breseghelo. Ele foi produtor executivo dos filmes "O dia das profissionais (1976), de Rajá de Aragão, e "O cangaceiro do Diabo (80), de Tião Valadares. Nabor era bacharel em direito.
O velório de Nabor será realizado no Cemitério do Araçá (avenida Doutor Arnaldo, 666), assim que seu corpo for liberado do Instituto Médico-Legal (IML). Ainda não se sabe o horário do enterro.
Nabor foi protagonista do filme "Manelão, o caçador de orelhas" (1982), de Ozualdo Candeias, e atuou em várias produções de Tony Vieira, entre elas "As amantes de um canalha" (1977), "O matador sexual" (79), "Tortura Cruel" (80) e "Desejos sexuais de Elza" (82).
Nabor também trabalhou como diretor de produção dos filmes "O doador sexual" (80), de Henrique Borges, e "O tônico do sexo" (84), de Hércules Breseghelo. Ele foi produtor executivo dos filmes "O dia das profissionais (1976), de Rajá de Aragão, e "O cangaceiro do Diabo (80), de Tião Valadares. Nabor era bacharel em direito.
O velório de Nabor será realizado no Cemitério do Araçá (avenida Doutor Arnaldo, 666), assim que seu corpo for liberado do Instituto Médico-Legal (IML). Ainda não se sabe o horário do enterro.
13.12.13
Com 48 anos de carreira, técnico da Boca do Cinema de SP ganha biografia
O técnico cinematográfico Virgílio Roveda trabalhou ao lado dos grandes cineastas de São Paulo, como Ozualdo Candeias, Amácio Mazzaropi e José Mojica Marins, o Zé do Caixão. Ele começou como figurante e eletricista no cinema no final dos anos 60 e foi conquistando diversas funções, entre elas as de assistente de direção, diretor de fotografia e produtor.
Depois de trabalhar em mais de 50 longas-metragens, Roveda volta a brilhar em O Coringa do Cinema, biografia escrita pelo jornalista e pesquisador Matheus Trunk. O livro será lançado neste sábado (14), no Espaço Parlapatões, na Praça Roosevelt, 158, Consolação, no centro de São Paulo, entre 16h30 e 19h30.
Natural de Vacaria (RS), Gaúcho, ou Gauchinho, como é mais conhecido pelos amigos (o apelido foi dado por Zé do Caixão), acaba de completar 48 anos de carreira no cinema brasileiro. Apesar das dificuldades, Roveda ainda planeja aumentar seu currículo de filmes.
Um de seus mais recentes trabalhos foi o longa Casamento Brasileiro (2010), de Fauzi Mansur, no qual atuou como diretor de fotografia e operador de câmera. Ao lado do cineasta José Adalto Cardoso, Roveda pretende voltar a produzir comédias com temática rural, como as feitas por Mazzaropi.
Depois de trabalhar em mais de 50 longas-metragens, Roveda volta a brilhar em O Coringa do Cinema, biografia escrita pelo jornalista e pesquisador Matheus Trunk. O livro será lançado neste sábado (14), no Espaço Parlapatões, na Praça Roosevelt, 158, Consolação, no centro de São Paulo, entre 16h30 e 19h30.
Natural de Vacaria (RS), Gaúcho, ou Gauchinho, como é mais conhecido pelos amigos (o apelido foi dado por Zé do Caixão), acaba de completar 48 anos de carreira no cinema brasileiro. Apesar das dificuldades, Roveda ainda planeja aumentar seu currículo de filmes.
Um de seus mais recentes trabalhos foi o longa Casamento Brasileiro (2010), de Fauzi Mansur, no qual atuou como diretor de fotografia e operador de câmera. Ao lado do cineasta José Adalto Cardoso, Roveda pretende voltar a produzir comédias com temática rural, como as feitas por Mazzaropi.
11.12.13
Cineasta Glauco Mirko Laurelli morre aos 83 anos em São Paulo
O diretor Glauco Mirko Laurelli morreu em São Paulo, nesta quarta-feira (11), aos 83 anos. Ele dirigiu cinco filmes, quatro deles para o comediante Amácio Mazzaropi. Seu último e mais importante trabalho no cinema foi no filme A Moreninha (1970), resenhado no BRCine recentemente. Veja aqui.
Com o amigo e cineasta Luís Sérgio Person, Laurelli fundou a Lauper Filmes (que traz as iniciais de seus sobrenomes) no final dos anos 60. Além de filmes, a Lauper também produziu comerciais. Laurelli também trabalhou com espetáculos teatrais.
Para Mazzaropi, Laurelli dirigiu os filmes O Vendedor de Linguiças (1962), Casinha Pequena (63), O Lamparina (63) e Meu Japão Brasileiro (64). No cinema, Laurelli começou a atuar como assistente de coreografia no início dos anos 50. Ele também foi montador, assistente de direção e roteirista.
Com o amigo e cineasta Luís Sérgio Person, Laurelli fundou a Lauper Filmes (que traz as iniciais de seus sobrenomes) no final dos anos 60. Além de filmes, a Lauper também produziu comerciais. Laurelli também trabalhou com espetáculos teatrais.
Para Mazzaropi, Laurelli dirigiu os filmes O Vendedor de Linguiças (1962), Casinha Pequena (63), O Lamparina (63) e Meu Japão Brasileiro (64). No cinema, Laurelli começou a atuar como assistente de coreografia no início dos anos 50. Ele também foi montador, assistente de direção e roteirista.
Marcadores:
Boca do Lixo,
cinema,
David Cardoso,
Glauco Mirko Laurelli,
Lauper Filmes,
Luís Sérgio Person,
Mazzaropi,
Sonia Braga
4.9.13
Adaptações da Boca do Lixo: A moreninha (1970)
Depois de ver a adaptação para o teatro do romance A Moreninha, o diretor Glauco Mirko Laurelli decidiu levar o clássico da literatura brasileira escrito por Joaquim Manoel de Macedo (1820-1862) ao cinema no ano de 1970. O papel de protagonista coube a uma mocinha de 19 anos, que até então só havia feito pontinhas nos filmes O Bandido da Luz Vermelha (1968), de Rogério Sganzerla, e Cléo e Daniel (1970), de Roberto Freire. Sonia Braga brilhou no papel de Carolina, a Moreninha. Um papel adequado para quem conquistaria o mundo anos depois com sua morenice brejeira.
Glauco e o diretor de musicais e compositor Cláudio Petráglia, responsável pela versão teatral do romance e convidado para ser um dos produtores da obra cinematográfica, escolheram o ator David Cardoso para interpretar Augusto, estudante de medicina que tem a fama de um Dom Juan desalmado. Um papel adequado para quem anos mais tarde se tornaria o rei da pornochanchada, por incorporar o garanhão em todos os seus filmes. Antes de A Moreninha (1970), David Cardoso havia feito pequenas participações em outros oito filmes, entre os anos de 1963 e 1968.
A adaptação cinematográfica de A Moreninha é fiel ao texto de Joaquim Manoel de Macedo. Augusto e dois amigos (um deles interpretado por Carlos Alberto Riccelli, em sua estreia no cinema) são convidados por Felipe (Nilson Condé), todos colegas do curso de medicina, para passar o dia de Sant’Anna na casa de sua avó, em Paquetá, no Rio de Janeiro. Augusto havia dito que as mulheres viviam encantadas por ele, que nunca deixava a paixão delas se prolongar. “Isso é coisa para bocó”, desdenha o personagem de David Cardoso.
Continue lendo o restante do texto aqui.
Glauco e o diretor de musicais e compositor Cláudio Petráglia, responsável pela versão teatral do romance e convidado para ser um dos produtores da obra cinematográfica, escolheram o ator David Cardoso para interpretar Augusto, estudante de medicina que tem a fama de um Dom Juan desalmado. Um papel adequado para quem anos mais tarde se tornaria o rei da pornochanchada, por incorporar o garanhão em todos os seus filmes. Antes de A Moreninha (1970), David Cardoso havia feito pequenas participações em outros oito filmes, entre os anos de 1963 e 1968.
A adaptação cinematográfica de A Moreninha é fiel ao texto de Joaquim Manoel de Macedo. Augusto e dois amigos (um deles interpretado por Carlos Alberto Riccelli, em sua estreia no cinema) são convidados por Felipe (Nilson Condé), todos colegas do curso de medicina, para passar o dia de Sant’Anna na casa de sua avó, em Paquetá, no Rio de Janeiro. Augusto havia dito que as mulheres viviam encantadas por ele, que nunca deixava a paixão delas se prolongar. “Isso é coisa para bocó”, desdenha o personagem de David Cardoso.
Continue lendo o restante do texto aqui.
Marcadores:
Boca do Lixo,
cinema,
David Cardoso,
literatura,
Sonia Braga
1.7.13
Márcia Ferro fica peladona nas alturas
"O Conceição deve ser o homem que mais me viu pelada na vida", disse-me Márcia Ferro, em tom de brincadeira, quando a entrevistei há sete anos. Ela se referia aos ensaios feitos pelo fotógrafo José Luís da Conceição para o jornal Notícias Populares nos anos 80. Além da cobertura da carreira de Márcia Ferro como atriz de filmes de sexo explícito na Boca Lixo, Conceição fez pautas inusitadas com a estrela do pornô, como a mostrada na foto que ilustra este post: a estrela completamente nua sobrevoava a cidade em uma asa delta motorizada.
A foto de Márcia Ferro é uma das 35 imagens selecionadas para a mostra “30 Anos de Fotojornalismo – trajetória profissional de José Luis da Conceição”, que acontece de hoje até o dia 20, na Galeria do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, 2.073, na região dos Jardins. Na mostra, além de imagens publicadas no NP, poderão ser vistas fotos que Conceição fez para os jornais O Globo e o Estado de S. Paulo. A entrada é gratuita. Conceição estará presente na abertura do evento, às 19h de hoje.
Leia mais sobre a mostra e a carreira de Conceição clicando aqui.
Veja um perfil da atriz de sexo explícito Márcia Ferro clicando aqui.
A foto de Márcia Ferro é uma das 35 imagens selecionadas para a mostra “30 Anos de Fotojornalismo – trajetória profissional de José Luis da Conceição”, que acontece de hoje até o dia 20, na Galeria do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, 2.073, na região dos Jardins. Na mostra, além de imagens publicadas no NP, poderão ser vistas fotos que Conceição fez para os jornais O Globo e o Estado de S. Paulo. A entrada é gratuita. Conceição estará presente na abertura do evento, às 19h de hoje.
Leia mais sobre a mostra e a carreira de Conceição clicando aqui.
Veja um perfil da atriz de sexo explícito Márcia Ferro clicando aqui.
Marcadores:
Boca do Lixo,
José Luís da Conceição,
Márcia Ferro,
Notícias Populares,
sexo explícito
18.6.13
Arnaldo Jabor já elogiou Sady Baby. Será que ele está arrependido?
"Sady Baby, louro, ex-jogador de futebol, é o homem que inventou o cinema ao vivo. Explico: depois de ter feito mais de 20 filmes pornô, dos quais o orgulho é o 'Emoções sexuais de um cavalo', Sady também foi vítima da 'crise cultural que destruiu nossa arte'. E aí teve uma ideia GENIAL: em vez de exibir filmes precariamente, sendo explorado por donos de cinema sórdidos, encheu um ônibus com 20 atrizes pornô e hoje (em 1992) sai mambembando pelos cinemas do interior com shows de sexo explícito. Revoluções nas cidades, mulheres nuas em praças com igrejinhas e coreto, sacanagens rurais, folias brejeiras, putarias agropastoris. Leva um anão no elenco, de 83 centímetros, mas que na cama é um 'gigante': Joãozinho Terremoto, que transa 15 vezes numa noite".
Fonte: Trecho do texto "O pornofilme ilumina o Brasil", escrito por Arnaldo Jabor e publicado na edição do dia 1º de março de 1992 do jornal Folha de S. Paulo (Arnaldo Jabor também afirma que Sady Baby faz parte do trio de ouro do pornô verde-amarelo, ao lado de Carlos Nascimento e de Fauzi Mansur)
Foto: Reprodução/Rede Globo
Fonte: Trecho do texto "O pornofilme ilumina o Brasil", escrito por Arnaldo Jabor e publicado na edição do dia 1º de março de 1992 do jornal Folha de S. Paulo (Arnaldo Jabor também afirma que Sady Baby faz parte do trio de ouro do pornô verde-amarelo, ao lado de Carlos Nascimento e de Fauzi Mansur)
Foto: Reprodução/Rede Globo
Marcadores:
Arnaldo Jabor,
Carlos Nascimento,
Fauzi Mansur,
Sady Baby
7.6.13
Filme polêmico de Sady Baby é uma das atrações do festival PopPorn

Uma das obras mais amaldiçoadas de Sady Baby finalmente pode ser vista por seus fãs. O famigerado filme Come tudo, recolhido pela Justiça em 1986 por trazer uma criança de 4 anos participando de uma cena de sexo explícito, é uma das atrações do festival PopPorn, que acontece na República, região central de São Paulo, neste final de semana. Mas não há o menor risco de as autoridades apreenderem novamente o filme, pois a cópia que será mostrada no evento não traz a polêmica cena. A versão editada foi lançada em VHS pela Frenesi Vídeo quatro anos depois, com o título Alucinações de um gozador.
No filme, Sady Baby interpreta Tuta, um cara que adora participar de orgias. Certo dia, ele recebe uma carta misteriosa no sítio onde vive com a mulher (Sofia Blummer), que o deixa totalmente transtornado. Tuta se torna um sádico, que não deixa nenhum de seus funcionários sair do sítio. Ele não poupa nem a própria mãe que vai visitá-lo, confinando também a pobre coitada no imóvel. Tuta passa a torturar todo mundo, obrigando-os a praticar todo o tipo de perversão sexual. Em uma das sequências, ele obriga suas vítimas a comerem insetos e bichos peçonhentos.
O filme será exibido na Trackers, na Rua Dom José de Barros, 337, às 17h deste sábado (8). Uma hora depois, eu e os amigos jornalistas Judson Ovídio e Matheus Trunk, que pesquisam o cinema da Boca do Lixo, vamos participar de um bate-papo com o público. O PopPorn vai mostrar dezenas de filmes de várias partes do mundo, entre longas e curtas-metragens, e realizar outras atividades artísticas. Saiba mais sobre o festival PopPorn clicando aqui. Para mais informações sobre ingressos, clique aqui.
6.6.13
Clássicos da Boca do Lixo: Meu nome é... Tonho (1969)

Em seu segundo longa-metragem, após o clássico A Margem (1967), filme marco do chamado Cinema Marginal, Ozualdo Candeias (1922 – 2007) realizou um faroeste caboclo. Mesmo optando em reconstruir o gênero do faroeste em um bangue-bangue à paulista rodado na cidade de Vargem Grande do Sul, no interior de São Paulo, Candeias continua a retratar no filme Meu Nome É… Tonho (1969) os personagens que conhece tão bem: os excluídos da sociedade.
O faroeste caboclo de Candeias conta a via-crúcis de Tonho (Jorge Karam), um homem de 30 e poucos anos que, quando criança, conseguiu escapar de um bando de criminosos que havia invadido o sítio de sua família e executado todos os seus parentes. Apesar da trágica história da infância, Tonho só vai sentir no sangue todo o ódio do mundo ao descobrir que pode ter mantido relações sexuais com a própria irmã, uma prostituta de cabaré (Bibi Vogel).
O bando do facínora Manelão (Nivaldo Lima), responsável pelo sofrimento de Tonho e sua família, será alvo da fúria implacável do protagonista após a descoberta realizada no quarto do cabaré. Tonho também irá se vingar de criminosos que o hostilizam no bar do cabaré e se defenderá de um homem que tenta açoitá-lo com um rabo de tatu já do lado de fora do estabelecimento. A bala come solta no filme até o duelo final com Manelão.
Continue lendo o restante do texto aqui.
Marcadores:
Bibi Vogel,
Boca do Lixo,
cinema,
Cinema Marginal,
Ozualdo Candeias
27.5.13
Gil Gomes estrela filme policial rodado na Boca do Lixo

O Cineclube Biroska (rua Canuto do Val, 115, Santa Cecília) exibe às 20h30 de hoje o filme "O outro lado do crime", dirigido por Clery Cunha e estrelado pelo repórter policial Gil Gomes.
Famosíssimo em todo o Brasil, imitado por gerações de crianças e adolescentes gaiatos, Gil Gomes deve muito de sua fama nacional ao programa Aqui Agora, jornalístico veiculado pelo SBT de 1991 a 1997.
Buscando diferenciar-se do "padrão global de qualidade", a emissora de Sílvio Santos criou seu exato oposto: um noticiário caótico, pitoresco e questionador.
Incômodo e criticado até dizer chega, o Aqui Agora representava uma espécie de Chacrinha do jornalismo brasileiro da época: aquele que não vindo para explicar, só servia mesmo para confundir.
Continue lendo o belo texto de Andrea Ormond, autora do blog Estranho Encontro, clicando aqui.
Marcadores:
Boca do Lixo,
cinema,
Clery Cunha,
Gil Gomes
19.5.13
Anão Chumbinho xaveca as gatinhas na Avenida Paulista
Chumbinho, o primeiro anão a fazer filmes de sexo explícito no Brasil, rivaliza em popularidade com Sady Baby entre os fãs do cinema hardcore tupiniquim produzido na Boca do Lixo na década de 80. O baixinho também foi protagonista de uma matéria meia-boca realizada pelo repórter Rodolfo em 1996 para o programa 190 Urgente, apresentado por Ratinho na CNT-Gazeta.
Na matéria, Chumbinho apenas circula pela Avenida Paulista ao lado de Rodolfo dando em cima das pedestres. Ele leva vários foras da mulherada. Quase nada é dito de sua carreira de ator pornô na Boca.
O próprio Ratinho resume assim a curta "reportagem": "É a matéria mais xarope que eu já vi na minha vida. Se esse cara tivesse 25 centímetros de bimbo estava andando arcado. Isso é conversa. Esse Chumbinho é um xarope. Tem que internar ele e o repórter que fez a matéria".
Marcadores:
Boca do Lixo,
Chumbinho,
Ratinho,
Sady Baby
8.5.13
Pérolas do cinema paulista: O regenerado (1998)
"Como ser um religioso e um bandido?", pergunta o cineasta Francisco Cavalcanti no trailer do filme "O regenerado" (1998), dirigido por seu filho Fabrício Cavalcanti. A obra, da produtora Plateia Filmes, será exibida no próximo dia 13 no Cineclubre Biroska, no bairro de Santa Cecília, região central de São Paulo. A entrada é gratuita.
"O regenerado" conta a história de Mário, um bandido periculoso e procurado pela polícia que abandona a vida do crime ao se tornar um homem religioso. Apesar da conversão, ele passa por uma provação dos diabos: perde o emprego, flagra a mulher com outro homem e ainda acaba expulso da própria casa.
Sem qualquer perspectiva, Mário decide voltar a ser um bandido. É aí que entra o questionamento feito pelo pai de Fabrício Cavalcanti no trailer. Como não ser um pecador ao abraçar novamente a carreira criminosa? O problema é que Mário agora não é mais um bandidão da pesada. Ele desaprendeu o ofício após um período de aposentadoria.
A dor de cabeça de Mário aumenta mais ainda no momento em que ele se junta a Juca, que pensa ser o maior bandido da área, mas não passa de um trapalhão. A dupla vai se envolver em uma série de presepadas, como participar de um sequestro mal planejado que acaba de maneira surpreendente.
Direção: Fabrício Cavalcanti. Elenco: Reinaldo Sapucaia, Fabrício Cavalcanti, Cristina Lopes, Francisco Cavalcanti, Jesse James, Clery Cunha, Ednor Messias, Roberto Rocco, Castor Guerra, Claudice Santana, Rute Gomes, Adilson Gutierres. Duração: 1h47. Produtora: Plateia Filmes.
Marcadores:
Boca do Lixo,
cinema,
Clery Cunha,
Fabrício Cavalcanti,
Francisco Cavalcanti,
Plateia Filmes
6.5.13
Mário Lima é homenageado por amigos da Boca do Cinema

A turma da Boca do Cinema vai homenagear hoje o cineasta, ator e produtor Mário Lima, que morreu aos 77 anos no final de março, vítima de complicações decorrentes de uma pneumonia. Os amigos de Mário Lima vão participar, primeiro, de uma missa na Igreja Santa Cecília, no centro de São Paulo, às 19h. Uma hora e meia depois, todos vão se reunir no Cineclube Biroska, no mesmo bairro, para assistir ao filme "Quinta dimensão do sexo" (1984), dirigido por José Mojica Marins, mas roteirizado e produzido por Mário Lima, companheiro inseparável do criador de Zé do Caixão.
Em 1957, quando tinha 22 anos, Mário Lima resolveu se matricular na escola de cinema de Mojica. Um ano depois, Mário Lima estreou como ator e assistente de produção no filme "A sina do aventureiro", primeiro longa-metragem de seu professor. Da relação entre mestre e aluno surgiu uma grande amizade. Mário Lima ainda atuou na frente das câmeras nos seguintes filmes de Mojica: "Meu destino em tuas mãos" (1963), "À meia-noite levarei sua alma" (1964), "O estranho mundo de Zé do Caixão" (1968), "Pesadelo macabro (episódio do filme "Trilogia do terror", também de 1968), "Ritual dos sádicos/O despertar da besta" (1969), "Finis hominis (1971), "Quinta dimensão do sexo" (1984), "48 horas de sexo alucinante" (1986) e "Encarnação do demônio" (2008).
Mário Lima atuou também em três filmes de outros diretores: "Meu nome é Tonho" (1969), de Ozualdo Candeias, "O profesta da fome" (1970), de Maurice Capovilla, e "Núpcias vermelhas" (1975), de J. Marreco. Apesar de sua vasta experiência no cinema, Mário Lima dirigiu apenas um filme: "Vingança diábolica" (1987), cujos protagonistas são Walter Gabarron e Makerley Reis. Esse mesmo filme ganhou uma versão com cenas de sexo explícito rebatizada como "A menina do sexo diabólico" (1987).
"Quinta Dimensão do Sexo" teve cenas de sexo explícito enxertadas posteriormente para poder ganhar a telona. Na época, os exibidores só queriam filmes que mostrassem closes de penetração. Nenhum dos astros e estrelas do filme original participaram das cenas picantes. Expliciteiros como Silvio Junior foram convidados para rodar as novas sequências, que não têm qualquer relação com a história original.
Veja a ficha de "Quinta dimensão do sexo":
Elenco: Márcio Prado, Zilda Mayo, Maristela Moreno, Michelle Bertran, Marthus Mathias, José Mojica Marins, Mário Lima, João Francisco, Débora Muniz, Albano Cartozzi, Roque Palácio. Sinopse: Paulo e Norberto são amigos, estudantes de Química, ridicularizados pelos colegas de faculdade pelo rumor de serem impotentes. Eles, então, iniciam uma pesquisa e desenvolvem uma fórmula que os transforma em maníacos por sexo. Saem à caça de mulheres nas ruas para raptá-las e estuprá-las. A polícia encontra as vítimas mortas e tenta identificar o autor dos crimes.
Serviço da Homenagem "in memoriam" para Mário Lima:
A missa acontece às 19h na Igreja Santa Cecília, localizada no Largo de Santa Cecília, no bairro do mesmo nome. O filme será exibido às 20h30 no Cineclube Biroska, que fica na rua Canuto do Val, 115, na mesma região, no interior do bar Frango com Tudo.
Leia mais sobre Mário Lima no blog "Violão, sardinha e pão".
Leia mais sobre "Quinta dimensão do sexo" no blog "Filmes para doidos".
Veja anúncio do filme publicado em jornais da época (imagem cedida pelo colecionador Alexandre Aldo Neves):
29.4.13
Atriz fala sobre sua carreira na Boca em livro de memórias

A atriz Noelle Pine realiza hoje uma noite de autógrafos para o lançamento de seu livro "Luz, cama, ação! Hollyboca".
Na obra, Noelle fala sobre sua carreira no cinema da Boca do Lixo no início dos anos 80. E também sobre o desencanto de ver alguns de seus filmes ter cenas de sexo explícito enxertadas alguns anos depois.
A atriz não poupa críticas ao diretor Sady Baby, que remontou o filme "Paraíso da sacanagem" (1984) com cenas hardcore para a decepção de Noelle. "Seu nome deveria constar no dicionário como sinônimo da palavra sordidez", escreve Noelle sobre Sady.
Noelle fala também sobre o período de 18 anos que morou no exterior. Na Espanha, ela quase participou de um filme do diretor espanhol Pedro Almodóvar e também atuou como cantora de um grupo musical.
O lançamento de "Luz, cama, ação! Hollyboca" acontece na Sala Lilian Gonçalves, na Rua Canuto do Val, 115, na Santa Cecília, região central de São Paulo, às 20h30.
O livro de Noelle também pode ser adquirido aqui.
Confira a filmografia de Noelle Pine clicando aqui.
Veja abaixo a entrevista concedida por Noelle para o programa "Comunidade em Ação":
20.3.13
Clássicos da pornochanchada: O Inseto do Amor (1980)

Atualmente falta picardia nas comédias brasileiras, coisa que as pornochanchadas tinham de sobra nos anos 70 e 80. As comédias eróticas produzidas na Boca do Lixo de São Paulo nessas duas décadas atraíam uma multidão de pessoas para as salas de cinema, graças aos dotes físicos de atrizes como Helena Ramos, Nicole Puzzi e Matilde Mastrangi, entre tantas outras musas do cinema nacional. Mas também por causa de argumentos engraçadíssimos, como o do filme O Inseto do Amor (1980), do diretor Fauzi Mansur.
Naquela época os cartazes dos filmes eram um convite à parte para fisgar a atenção do público. No traço do ilustrador gaúcho Benício, o cartaz de O Inseto do Amor trazia a imagem de um mosquito aumentada por uma lupa no momento em que ele dava uma ferroada maliciosa em um traseiro feminino. Em segundo plano aparecem as caricaturas de astros como John Herbert, Helena Ramos, Rossana Ghessa, Serafim Gonzalez, Angelina Muniz e Arlindo Barreto sob o efeito da picada do Anophelis sexualis, nome científico do tal inseto do amor.
Com roteiro do próprio diretor e do escritor Marcos Rey, o filme começa com o cientista Hans Muller (interpretado por Carlos Kurt, o eterno vilão dos filmes dos Trapalhões) fazendo uma expedição à selva amazônica. Ele foi até a Amazônia coletar alguns mosquitos para estudo, pois já tinha ouvido falar das propriedades afrodisíacas do Anophelis sexualis. Hans leva os espécimes para um hotel em Ilhabela, no litoral paulista, onde ele está hospedado. Ao saber da presença dos insetos na cidade, a população entra em polvorosa.
Uma confusão envolvendo o cientista e um hóspede do hotel, que queria roubar um mosquito para curar sua impotência, faz com que os insetos fujam do recipiente onde estavam guardados. A partir daí uma série de problemas acontecerá na pacata ilha. Homens e mulheres picados pelo mosquito não conseguirão controlar seus instintos mais selvagens. Quem não fizer sexo no período de duas horas irá bater as botas, como um presidiário, a primeira vítima do inseto no filme. Sozinho na cadeia, ele acabou furando a parede da cela recheada com pôsteres retirados de revistas de mulher pelada.
Ninguém escapa imune do rígido ferrão do inseto do amor, nem mesmo os personagens moralistas do filme. O padre Soares (interpretado por Jofre Soares) passa o filme inteiro duvidando da eficácia da ferroada. “O pecador quer qualquer desculpa para pecar. O pecado está na mente da pessoa e não na picada de um mosquito”, vive repetindo o religioso, que enfrentará um terrível dilema em sua cruzada contra os ‘pervertidos’. As comédias atuais precisam de uma picada da ousadia dos filmes de outrora.
FICHA TÉCNICA
Diretor: Fauzi Mansur
Elenco: Angelina Muniz, Helena Ramos, Zélia Diniz, Jofre Soares, Serafim Gonzalez, John Herbert, Carlos Kurt, Arlindo Barreto, Flávio Porto, Lola Brah, Francisco Cúrcio, Felipe Levy, Renato Bruno, José Lucas, Rossana Ghessa, Ana Maria Kreister, Claudette Joubert, Liza Vieira, Alvamar Taddei, Heitor Gaiotti, Henriqueta Brieba, Carlos Bucka, Eudes Carvalho, Misaki Tanaka, Alexandre Dressler, Cavagnole Neto, Marcos Plonka, José Júlio Spiewak, Mara Husemann, Fábio Villalonga, Suleiman Daoud, Lino Sérgio, Nádia Destro, Marthus Mathias, Henrique Bertelli, Tereza Rodrigues, Carmen Ortega, Vera Lúcia, Ariadne de Lima, Celina de Castro, Celso Gil, Pedro Paulo Zuppo, André Luiz, Michel Cohen, Marly Palauro, José Lopes, Aparecida de Castro, Sílvia Regina, Márcia Montiel, Gilberto Fernandes, Carlos Arena, Hélio Motta, Luiz Schiavo, Miranda Marques, Cinira Capucci, Clarice Ruiz, Fátima Fonseca, Ilse Marques, Carmen Goulart, Zé da Ilha, Wandilson, Iolanda Silva, Júlia Veloso, Lilian Leila, Divina Cherotto, Roseli Dias, Dionísio Pedralli, Fafá, Rosecler, Ezequias Balmat, Domingos dos Santos, Hilda de Castro, Simone, Valderez Pires
Produção: J. D’Avila Produções Cinematográficas
Argumento e roteiro: Fauzi Mansur e Marcos Rey
Fotografia: Gesvaldo Arjones Abril
Duração: 100 minutos
Ano: 1980
O filme chegou a ser lançado em DVD pela Sexxxy, mas está fora de catálogo.
3.3.13
Sady Baby na clandestinidade: cabelos pretos e curtos
Após ser acusado pela polícia de forjar seu suicídio em agosto de 2008, o espiríto de Sady Baby se manifestou no meu telefone celular dois dias antes do Natal de 2010: "Sucesso e muitas bucetas + 1 tempo fora. Tô muito bem. Tu vai se surpreender". Retornei imediatamente para o número de telefone que aparecia na mensagem, mas ninguém atendia as ligações nem retornava os torpedos. Sady ainda iria ficar mais algum tempo recluso.
Menos de um ano depois, em agosto de 2011, finalmente recebi uma ligação do cineasta, que, às gargalhadas, se identificava por seu novo nome na clandestinidade. Combinamos de nos encontrar em um jogo do Corinthians no Pacaembu, pois fazia tempo que Sady não via uma partida do Timão. Foi no porta do estádio que encontrei o diretor de clássicos como "Emoções sexuais de um jegue" e "No calor do buraco" com um novo visual: de cabelos curtos e pintados de preto (no lugar de seu tradicional penteado de ovelha, com cachos loiros).
Sady explicou que estava esperando alguns processos judiciais expirarem para ressuscitar com sua identidade verdadeira e dar continuidade a um novo projeto "artístico", pois os anteriores foram interrompidos após uma operação da Polícia Federal dias antes de ele "pular para a morte no Rio Uruguai". Mas, no começo da semana passada, Sady foi desmascarado durante uma abordagem da Polícia Rodoviária Federal na cidade de Caxias do Sul (RS). Havia contra ele um mandado de prisão por estelionato, após a Polícia Civil de Caçador (SC) receber uma denúncia que Sady estava realizando compras em vários estabelecimentos comerciais da região com cheques sem validade e em nome de terceiros.
Sady foi preso ao lado da atual mulher. Sobrou até para a sogra do cineasta, que foi detida horas depois sob a suspeita de receptar os produtos adquiridos com os cheques frios. Agora a situação ficou insustentável para Sady, pois além dos processos de uso de adolescente em filme pornográfico e da falta de pagamento de pensões alimentícias, o cineasta vai responder agora pelos crimes de estelionato e falsidade ideológica. E a Polícia Civil de Santa Catarina está tentando localizar possíveis vítimas de golpes em outras cidades do Estado, o que pode engrossar mais ainda a pena de Sady. Por enquanto, Sady está no calor do buraco de uma das celas do Penitenciária Industrial de Caxias do Sul.
Assinar:
Postagens (Atom)








