O comediante Viana Júnior morreu ontem, aos 68 anos, após ter uma insuficiência múltipla de órgãos. Ele sempre será lembrado pelo público como Apolônio, personagem que sofria nas mãos, ou melhor, nos ouvidos da Velha Surda, imortalizada pelo humorista Rony Rios, falecido em 2001.
Viana Júnior precisou se afastar da televisão nos últimos anos por causa de uma ataxia cerebral, doença que impede a pessoa de ter controle sobre seus movimentos musculares. Além da TV, Viana Júnior atuou também em quatro produções do cinema paulista: "Tristeza do Jeca" (1961), "Casinha Pequenina" (1963), "A Árvore dos Sexos" (1977) e "Nem As Enfermeiras Escapam" (1977).
8.6.10
4.6.10
Cavalo faz Alex Prado virar cineasta
Rubens da Silva Prado foi pela primeira vez ao cinema com 7 anos de idade. O filme que estava em cartaz era Zorro e o menino ficou impressionado com os cavalos que apareciam na tela. “Na hora pensei: um dia vou fazer um filme montado num cavalo”, sonhou o rapaz, que anos depois iria adotar o pseudônimo Alex Prado para dirigir e estrelar (montado num cavalo), aos 24 anos de idade, o clássico "Gregório 38" em 1969.
Quando deixou a pré-adolescência, Prado decidiu que era hora de ver o seu sonho transformar-se em realidade. O primeiro passo dele era conseguir um trabalho em algum estúdio de cinema, o que ajudariapara ficar mais próximo de seu objetivo. “Procurei alguém que deixasse eu trabalhar num filme. Mas naquela época já havia racismo e diziam que eu era preto e feio. Não desisti da vontade de trabalhar no cinema, mentalizando meu próprio filme”.
Prado disse que conseguiu acompanhar um dia de filmagem de “À meia-noite levarei sua alma”, dirigido em 1963 por José Mojica Marins. Aproveitando que o diretor de fotografia Giorgio Attili estava ausente, o assistente de câmera Nuvem Branca deixou que Prado olhasse no visor da câmera.
“Quando pus o olho no visor e vi o enquadramento, fiquei apaixonado”. Para o azar de Alex Prado, Attili retornou ao set de filmagem e o flagrou bisbilhotando a câmera. “Tira esse olho morfético da câmera. Você vai passar alguma doença”, reclamou o diretor de fotografia, segundo as recordações de Prado.
Constrangido, o jovem retrucou para o experiente diretor de fotografia que um dia ele seria diretor de cinema. “Na época eu tinha 18 anos e o Atilli, 60. Ele deu risada de mim quando eu disse que ia fazer um filme. Você não consegue fazer um filme, ele falou para mim. Aquilo me ofendeu bastante, doeu no coração”.
Continua...
12.5.10
O Diário Secreto de Sady Baby
Uma boa samaritana colocou recentemente no YouTube o programa Superpop batizado de "Diário Secreto de Sady Baby", levado ao ar pela Rede TV no dia 3 de abril de 2006. Foi nesse programa que Sady levantou a ideia de fazer um filme pornô com uma de suas filhas. O projeto foi levado à frente no final de 2007, mas o filme "A Filha do Diretor" acabou apreendido pela Polícia Federal antes de ser lançado, conforme noticiado por Mondo Cane em 17 de julho de 2008. De olho na audiência conquistada pela briga entre Sady Baby e o cantor Ovelhada pela paternidade de um menino de 3 anos, a qual rendeu dois programas no segundo semestre de 2005, o Superpop resolveu chamar o cineasta para mais um debate bizarro intermediado pela apresentadora Luciana Gimenez. Vejam os vídeos abaixo e tirem suas conclusões.
10.5.10
Uma homenagem ao faquir Silki
A exibição do filme “O profeta da fome”, promovida pelo Centro de Memória do Circo na Galeria Olido, no último dia 29, foi uma homenagem ao faquir brasileiro Silki, um artista popular que infelizmente não é conhecido pela grande maioria dos brasileiros.O Centro de Memória do Circo convidou o cineasta José Mojica Marins, o Zé do Caixão, para falar sobre sua atuação como o faquir Ali Khan no filme dirigido por Maurice Capovilla em 1969. O evento contou com a presença de Rose Lopes, nora de Silki.
Antes de reproduzir o bate-papo ocorrido após a exibição do filme na Galeria Olido, Mondo Cane vai (tentar) contar um pouco da história de Silki. Adelino João da Silva nasceu no Rio Grande do Sul em 1922. “Com 9 anos de idade, ele fugiu de casa para trabalhar no circo”, conta Rose.
No circo, Adelino fica fascinado com as proezas do faquir hindu Arnaldo Weiss, o Silki. O hindu vira mestre do menino, ensinando para ele todas as técnicas do faquirismo. Com a morte do hindu, Adelino adota o nome Silki e prossegue com o legado de seu mestre.
Silki vira um artista da fome, realizando o feito de jejuar por mais de três meses nos anos 50, 60 e 80. O faquir entrava em um receptáculo de vidro, onde ficava deitado sobre uma cama de pregos. Para tornar o espetáculo mais atraente, Silki ficava na companhia de duas serpentes.
As performances de Silki aconteciam nas imediações do Largo do Paissandu, na região central. Maurice Capovilla, quando era repórter do Última Hora, foi fazer uma matéria sobre as peripécias de Silk nos anos 60. Foi aí que Capovilla teve a inspiração para fazer “O profeta da fome”.
O faquir brasileiro morreu em 1998, aos 76 anos, de causas naturais. Segundo Rose, Silki foi tetracampeão mundial de faquirismo e já esteve no Guiness Book por conta de seu feito na cama de pregos. “O Silki tinha outros números. Ele já ficou 12 dias enterrado vivo”, lembra Rose.
A seguir trechos do bate-papo com José Mojica Marins após a exibição de "O profeta da fome" na Galeria Olido:
Um dos maiores faquires do mundo
Eu fui muito amigo do Silki. Guardei com muito carinho a guilhotina que ele usava nas apresentações. A fita (O profeta da fome) foi feita para demonstrar quem realmente é o Silki. Ele foi um dos maiores faquires do mundo.
Laboratório para interpretar Ali Khan
O artista tem que se acostumar a tudo. Fui fazer laboratório (para fazer o papel do Ali Khan), passando por vários circos pequenos para sentir os problemas. (A intenção) foi fazer uma homenagem legal para o Silki.
Um homem que desafiava a morte
Silki fazia coisas de arrepiar. Numa fração de segundos, ele retirava a cabeça da guilhotina. O cabelo dele chegou a ser cortado. Ele era um homem realmente fantástico, supercorajoso, desafiador da morte e realmente um batalhador que a gente tem que sentir orgulho.
Uma salva de palmas
Eu tive a felicidade realmente de ser amigo do Silki. Ele tinha vários trabalhos que realmente abalaram o Brasil. Onde quer que esteja a sua essência, eu quero uma salva de palmas para ele.
"Não desejaria isso para meu pior inimigo"
(A urna do filme) foi inspirada na urna do Silki. Realmente não foi muito legal ficar na cama de pregos. Eu fiquei umas horas lá. O Silki ficou mais de 100 dias. Não era fácil (para mim), via prego de um lado e do outro. Não desejaria isso para meu pior inimigo.
A praga da semana
No final do encontro, José Mojica Marins aproveitou para rogar a tradicional praga de Zé do Caixão. Para ver o vídeo, clique aqui.
Para saber mais sobre o filme "O profeta da fome", veja o dossiê feito pela revista Contracampo clicando aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
3.5.10
"Lilian M, relatório confidencial" sairá em DVD
"Lilian M, relatório confidencial" (1975) é o segundo longa-metragem de Carlos Reichenbach. Depois de dirigir "Corrida em busca do amor" (1972), o cineasta passou a trabalhar exclusivamente com filmes publicitários durante três anos, seguindo conselhos familiares de que deveria se dedicar a um negócio rentável. "Foi um período horroroso, pois eu fazia algo que não gostava, convivia com gente que eu não queria conviver. O lado bom disso foi o aprendizado técnico. Quando comecei a ganhar prêmios publicitários, eu vi que era a hora de ir embora", afirmou o cineasta em encontro com o público da 2ª edição da mostra "Clássicos & raros do nosso cinema", após a exibição de "Lilian M." no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) na noite da última quarta-feira. Carlão também anunciou que "Lilian M" sairá em DVD brevemente."Lilian M" conta a história de Maria, que depois vira a Lilian do título. Maria (Célia Olga Benvenutti) é uma mulher entediada com a vida no campo. Sua rotina é levar o almoço para o marido José (Caçador Guerreiro), quando ele está cuidando da plantação de chuchu no sítio arrendado pela família, e acompanhar um dos dois filhos até metade do caminho para a escola. À noite, Maria sempre permanece quieta e estática enquanto José faz amor com ela. Sua vida vai sofrer uma grande mudança quando um caixeiro-viajante (Walter Marins) aparece no sítio em busca de água e comida, após percorrer vários quilômetros a pé depois que seu carro sofre um problema mecânico. O caixeiro, um sujeito galhofeiro, seduz a dona de casa entendiada e a convence a partir dali com ele em direção a São Paulo.
No meio da viagem, o carro ocupado pelo casal se envolve em um acidente com um caminhão e apenas Maria sobrevive. Ela parte para a capital paulista, mas vai parar na prisão porque está sem documentos. Uma assistente social promete ajudá-la e consegue para ela um emprego de doméstica na casa do industrial Braga (Benjamin Cattan). Patrão e empregada começam a ter um caso, levando Braga a comprar um apartamento para Maria, onde os dois possam se encontrar com privacidade. Num desses encontros, após Braga comentar que o nome da doméstica é simples, Maria pergunta qual é o nome da mãe do industrial. Após saber que é Lilian, Maria adota o nome, mesmo a contragosto de Braga.
O relacionamento do casal começa a ser ameaçado por Fausto (Washington Lasmar), bailarino com tendências suicidas que é filho de Braga. Uma nova tragédia dá uma guinada na vida de Lilian. Agora ela está trabalhando como massagista e começa a se relacionar com outro industrial, dessa vez um de seus clientes. Hartman (Edward Freund) é um homem neurótico, cujo passatempo é dar tiros com as armas de sua coleção e criar aparelhos de tortura. Ele usa seus aparatos para torturar Lilian, que recebe quantias volumosas para fazer o papel de masoquista em sessões de choques elétricos. Com o dinheiro desses encontros, Lilian compra um terreno do grileiro Vivaldo Lobo (Wilson Ribeiro), outro de seus clientes da casa de massagem.
Após ser enganada pelo grileiro, mesmo após contratar os serviços do detetive Shell Scorpio (José Júlio Spiewak), Lilian vê sua vida mudar radicalmente mais uma vez. Ela começa a namorar com o assaltante Chico (Lee Bujyja), que, prevendo que seus dias estão contados por causa da tuberculose, a entrega aos cuidados da cafetina Maria Antonieta (Thereza Bianchi). No bordel da xará, Maria conhece o funcionário público Gonçalves (Sérgio Hingst), que tem o costume de tomar prostitutas como esposas. Lilian vai morar com Gonçalves, mas terá que conviver também com a irmã dele, a sorumbática Lucivalda (Maracy Mello). Lilian começa a achar sua rotina enfadonha, pois Gonçalves quer que ela permaneça em casa, e decide deixar a cidade para rever a família que abandonara no campo.
Leia uma análise de "Lilian M" aqui.
A seguir trechos do bate-papo de Carlão após a exibição de "Lilian M" no CCBB:
Filme caseiro
Esse foi o meu filme mais caseiro. Só faltou eu botar a cara. De certa maneira botei, pois aparece uma cena minha em "Corrida em busca do Amor" (na sequência em que Lilian e o industrial Braga estão assistindo o primeiro longa de Carlão num cinema). Eu produzi, escrevi, dirigi. Até a câmera é minha. A trilha sonora também. Toquei os discos de 78 rotações que herdei do meu pai e do meu avô. São músicas que eu cresci ouvindo.
Independência econômica
Eu decidi fazer um filme que eu gostaria de assistir. Usei a estrutura da empresa de publicidade da qual eu era sócio. O filme foi feito dentro da Jota Filmes durante o meu tempo livre, usando a sucata do estúdio para construir cenários. (...) Tinha independência econômica, pois eu só tinha que responder a mim mesmo. Quando eu dirigi "O Império do Desejo", o produtor queria saber toda hora se eu tinha filmado mulher pelada.
"Nosso cinema está careta hoje"
(Depois de rever "Lilian M" em cópia restaurada), vejo como o nosso cinema está careta hoje, perdeu a coragem de ousar. Na época, tinha um enfrentamento com a censura, um embate com o cinema oficial e acadêmico. (Em "Lilian M"), quis fazer uma mistura de escolas: tem cinema B, cinema narrativo e cinema japonês. Uma das referências foi (o trabalho do cineasta japonês) Shohei Imamura, especialmente "Mulher Inseto".
Tortura
Eu pensei que a censura ia cair em cima das cenas de tortura. O industrial alemão era uma referência ao Boilesen. Mas a censura não entendeu, ainda bem. O que não desceu pela garganta da censura foi a questão da família.
Lançamento em DVD
"Lilian M" vai ser lançado pela Heco/Lume em julho. O DVD trará vários extras, como uma entrevista de duas horas comigo, que poderia se chamar "Carlos Reichenbach: arquivo confidencial" (risos). (Em seu blog, Carlão informa que outro extra é o curta-metragem inédito "O m da minha mão" (1980), dele e de Jairo Ferreira)
Cena de impacto

Eu tinha 18, 19 anos quando vi no cinema a cena que causou mais impacto em minha vida. Foi em um filme de educação sexual. Aparecia um cara pelado de frente com cancro. A mão de um médico entrava em cena com um bastão dourado incandescente e enfiava na uretra do sujeito. Para mim, a cena de maior impacto do cinema brasileiro está no filme "Sexo & vida". Você quase caía da cadeira (ao ver a cena). Nem Brian de Palma conseguia esse efeito. Depois de mais de 40 anos, descobri que foi meu amigo Rubens Regino quem produziu esse filme quase escondido. Ele viajava o Brasil de Norte a Sul exibindo esse filme. Lotava os cinemas. Hoje é impossível encontrar esse filme.
Em 25 de novembro de 2009, Carlos Reichenbach escreveu em seu blog Olhos Livres um post sobre "Sexo & Vida". Mondo Cane reproduz o texto de Carlão abaixo:
SEXO & VIDA (Henrique Meyer - 1959)
Vi esse "clássico" num cinema da rua Conselheiro Nébias, atraido por um cartaz tosco mas com uma mulher exuberante seminua desenhada por algum cover de Carlos Zéfiro. O filme, que foi liberado e imediatamente interditado pela Censura Federal, foi um dos primeiros documentários de "utilidade pública" produzidos no país. Além de "ensinar" a moçada a arte do prazer, apresentava detalhes acurados das genitálias masculinas e femininas. Lá pelas tantas, quando a rapaziada estava vivamente entusiasmada com as formas generosas das moças desinibidas do documentário: corte sêco para o close de um pênis em estado de repouco. A mão enluvada de branco de um médico entrava em cena, levantava, apertava e apresentava a cabeça do marçapo para a lente, e empurrando o prepúcio para trás, fazia escorrer o pús gonorréico do orifício infeccionado. Na sequência, a mão enluvada introduzia um bastão dourado incandescente no orifício do pênis. Juro que ouvi gente gritando na platéia.
Venhamos e convenhamos, é muito difícil esquecer uma cena destas. Grito como aquele eu só ouvi no cine Iguatemi, anos e anos depois, no final de CARRIE, A ESTRANHA. 40 e tantos anos depois descubro que foi meu amigo Rubens Regino quem produziu o filme e ganhou uma fortuna viajando com as quatro latas de seiscentos metros - debaixo do braço - pelo Brasil afora, exibindo as duas únicas cópias em 35 milímetros existentes, em sessões especiais só para homens, às onze horas da noite. Os suecos e dinamarqueses ficaram famosos por seus "documentários pedagógicos". Aqui no Brasil, SEXO & VIDA me parece um dos casos únicos e pioneiros. Um autêntico filme de "vanguarda", que mereceria ser urgentemente restaurado. Regino contou para mim e Eugênio Puppo que seria impossível recuparar o filme, já que os seus negativos desapareceram, assim que o filme foi interditado para "todo território nacional".
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1.5.10
Clássicos e raridades do cinema brasileiro em cópias restauradas
A Cinemateca Brasileira e o Centro Cultural Banco do Brasil promove desde o dia 21 de abril a segunda edição da mostra CLÁSSICOS & RAROS DO NOSSO CINEMA.Com curadoria da Cinemateca, a programação oferece uma visão diferenciada da história do cinema brasileiro, apresentando filmes dos mais diversos estilos, gêneros e épocas – dos recordistas de bilheteria ao cinema de invenção das décadas de 1960 e 1970, passando por produções destinadas ao grande público – comédias eróticas, terror, policiais e faroestes – muitas dos quais não encontram as telas desde a época de seus lançamentos.
A maioria dos filmes programados será apresentada em cópias novas especialmente confeccionadas para a mostra. Além das sessões, o público terá a oportunidade de conversar, por meio de uma série de encontros, com muitos dos cineastas e artistas envolvidos nas produções escolhidas.
ENCONTRO COM PATRÍCIA SCALVI
01 de maio - Centro Cultural Banco do Brasil
Atriz versátil, de grande talento dramático, Patrícia Scalvi iniciou sua carreira na Boca do Lixo. Fez inúmeras comédias eróticas e trabalhou com os principais nomes do cinema da Boca – Jean Garret, Fauzi Mansur, Ody Fraga, John Doo, Cláudio Cunha, Antônio Meliande, José Miziara, Luiz Castillini, Alfredo Sternheim, entre outros. Trabalhou também em filmes de Walter Hugo Khouri e Carlos Reichenbach. Patrícia Scalvi conversa com o público no próximo sábado, dia 01 de maio, às 17h00, após a projeção da nova cópia 35mm de Ninfas diabólicas, terror erótico de John Doo, que conta com a participação da atriz. O filme será exibido às 15h00.
ENCONTRO COM ALOISIO T. DE CARVALHO
02 de maio - Cinemateca Brasileira
Diretor de comédias de sucesso como Genival é de morte (1956), Maluco por mulher (1957) e O batedor de carteiras, Aloisio T. de Carvalho fala sobre sua trajetória no cinema no domingo dia 02 de maio, às 20h00. O encontro, a ser realizado na Cinemateca Brasileira, é antecedido da projeção, em nova cópia 35mm, do melodrama criminal Preço de um desejo (1952).
ENCONTRO COM CLERY CUNHA
05 de maio - Centro Cultural Banco do Brasil
Diretor de alguns clássicos do cinema popular paulista, como Joelma 23º andar (1980) e O Rei da Boca, Clery Cunha fala sobre sua carreira no cinema, na televisão e no teatro, no dia 05 de maio, às 19h30, no Centro Cultural Banco do Brasil. A palestra do cineasta é antecedida da exibição, em nova cópia 35mm, de seu filme Os desclassificados (1972), policial baseado em fatos reais, com Hélio Souto, Jesse James e Joana Fomm no elenco. O filme será exibido às 17h00.
O preço dos ingressos varia entre R$ 4 e R$ 8.
Fonte: Cinemateca Brasileira
27.4.10
Zé do Caixão: do circo ao cemitério
O cineasta José Mojica Marins vai participar nesta quinta-feira, dia 29, de um evento promovido pelo Centro de Memória do Circo. Ele não irá falar do circo de horrores de seu personagem Zé do Caixão, mas sim de sua atuação como o faquir Ali Khan no filme “O profeta da fome” (1969), de Maurice Capovilla. O personagem circense foi inspirado no faquir Silki, que por três vezes (nos anos 50, 60 e 80) jejuando durante meses no Largo do Paissandu, na região central de São Paulo. Mojica conheceu Silki e certamente contará histórias interessantes sobre.
O bate-papo com Mojica acontece após a exibição do filme, prevista para as 18h30. O Cine Olido fica na Avenida São João, ao lado da Galeria do Rock e a poucos metros do local onde o faquir Silki costumava fazer suas apresentações há mais de quatro décadas.
Dois dias depois, às 21h de sábado, Mojica estará caracterizado como Zé do Caixão no Cemitério de Vila Nova Cachoeirinha, onde acontecerá a sessão “Fear(s) of the dark”, coletânea francesa de curtas-metragens de terror em animação. Mojica contará uma história de terror antes da exibição dos curtas.
12.3.10
O Analista de Taras Deliciosas
A paródia e o escracho faziam parte dos filmes produzidos na Boca do Lixo do São Paulo. Uma das principais gozações feitas na época áurea do cinema paulista foi o clássico "Bacalhau", dirigido por Adriano Stuart em 1976. "Bacalhau" ou "Bac's" era a resposta brasileira para o "Tubarão" (Jaws) de Steven Spielberg, filmado um ano antes nos Estados Unidos. No início dos anos 80, as pornochanchadas e o cinema de gênero da Boca foram substituídos pelos filmes de sexo explícito. Mas o esculacho não foi abandonado na fase ginecológica do nosso cinema, como prova "O Analista de Taras Deliciosas", a versão pornô do seriado "A Ilha da Fantasia"."O Analista de Taras Deliciosas" foi dirigido por Fauzi Mansur em 1984, justamente o último ano de produção do seriado americano (1978/1984) com os protagonistas Ricardo Montalban e Hervé Villechaize. O primeiro fazia o papel do Sr. Roarke, o anfitrião da ilha paradisíaca onde os visitantes podiam realizar suas fantasias. Hervé interpretava Tattoo, o anão que era o braço direito do Sr. Roarke. Em "O Analista de Taras Deliciosas" eles são substituídos pelos atores Alan Fontaine e Chumbinho. Quando ambos aparecem na primeira cena da obra pornô trajando ternos brancos, o espectador já percebe a fonte de inspiração de Izuaf Rusnam (o nome do diretor aparece creditado de trás para a frente).
No início de cada episódio de "A Ilha da Fantasia", Tatto aparecia tocando um sino e gritando "olha o avião" para avisar o Sr. Roarke que novos visitantes estavam chegando. Com a peculiar falta de recursos das produções da Boca, os visitantes chegam num ônibus de turismo mesmo. Só faltou colocar o Chumbinho berrando "olha o busão". O mais famoso anão do cinema brasileiro, aqui no papel do mordomo Ling, se limita apenas a avisar o Dr. Moss (Alan Fontaine) de que "está tudo pronto para receber os novos clientes". A ilha paradisíaca é substituída por um clínica que funciona numa espécie de hotel fazenda.
Dr. Moss reúne os auxiliares e explica que todos eles devem se empenhar para resolver os desejos dos visitantes. Uma ninfomaníaca quer transar com um vampiro. Outra tem prazer em enfiar objetos estranhos na vagina. Um cinéfilo pretende ter uma noite de prazer com a atriz Elizabeh Taylor. Um pervertido sonha em ir para a cama com uma freira. Outro quer representar o pistoleiro Billy the Kid enquanto faz sexo. Uma senhora casada quer ser raptada por homens bem dotados. A clientela é formada ainda por um casal de sadomasoquistas, um homem que tem prazer em ver a mulher nas mãos de outro e ainda um aleijado impotente.
No meio dessa turma toda estão perdidos o sobrinho do Dr. Moss e a mulher dele, que foram apenas curtir um final de semana no local. O Dr. Moss alerta sua equipe para que o casal não descubra o real propósito da clínica. O sobrinho recebe a orientação do tio de que nunca abandonem o quarto, principalmente à noite, pois os pacientes podem se tornar perigosos. Claro que o casal fica entediado e não segue a orientação do Dr. Moss, se envolvendo em situações cômicas na clínica. As taras da clientela podem não ser deliciosas como sugere o título, mas são hilárias por conta dos diálogos do roteiro de Wilson Vaz e Waldir Kopeski.
Direção: Izuaf Rusnam (pseudônimo de Fauzi Mansur). Elenco: Alan Fontaine, Chumbinho, Oásis Minitti, Cléo Rodrigues, Walter Gabarron, Eliane Gabarron, Paula Sanches, Antônio Rody, Carlos Nascimento, Marthus Mathias, Oswaldo Cirilo, Nardo Sabatini, Saipy Marquesa, Adauto Salomão, Tereza Rodrigues, Nelson Ramos, Betty Muriel, Vania Bonier, Michele Analidei, Edna Ferreira, Ronaldo Amaral, Carlos Farah, J.Brito, Renata Close, Cristiane Silva, Telma Xavier, Meire Belacosa e Pedro Terra. Duração: 1h24.
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Walter Gabarron
28.1.10
Bar exibe clássico pornô da Boca
O bar Astronete exibirá hoje "Um Pistoleiro Chamado Papaco", um dos mais hilários filmes da fase pornô da Boca do Lixo de São Paulo. Uma pena que não posso ir, pois estarei trabalhado. Daqui alguns dias, publico uma resenha dessa obra-prima. As informações abaixo foram retiradas do site do Astronete. E que o Astronete dê espaço a outras produções explícitas e geniais da Boca do Lixo, como Rabo 1 (de José Miziara), O Analista de Taras Deliciosas (Fauzi Mansur), Oh, Rebuceteio (Cláudio Cunha) e Emoções Sexuais de um Jegue (Sady Baby), entre vários outros títulos.Nesta quinta-feira, dia 28 de janeiro: UM PISTOLEIRO CHAMADO PAPACO (1986) / Diretor: MÁRIO VAZ FILHO / 823.553 espectadores
Para muitos, a obra-prima definitiva da Boca do Lixo. Paródia de filmes de “western spaghetti” com muito sexo explícito. Papaco (pronuncia-se “PAPACU”) vaga pelo Oeste arrastando um caixão cheio de mercadorias preciosas para serem negociadas com uma gangue de bandidos da cidade de Santa Cruz das Almas. No caminho, muitos tentam roubá-lo, mas são impiedosamente mortos pelo intrépido pistoleiro que, mesmo dizendo que “seu negócio é outro”, transa com todas as mulheres do elenco. Tudo vai indo muito bem até que Big Boy (o lendário Anão Chumbinho) decide enfrentar Papaco. No papel título, Fernando Benini, conhecido das pegadinhas do Sílvio Santos, em atuação colossal. No elenco, ainda as lendárias Márcia Ferro (como a mocinha Linda) e Camila Gordon (famosa por contracenar com animais em alguns filmes da boca) e o grande Satã, como o pistoleiro Sartana. SESSÃO COM A PRESENÇA DO DIRETOR. Após o filme haverá debate e homenagem ao genial MÁRIO VAZ FILHO, com mediação de Murillo Mathias, o cuRRador desta retrospectiva.
Info da noite:
Abre 21h, Filme 22h, Entrada gratuita
Promoção Cinetrash:
Chope Guinness em preço de happy hour a noite inteira: pint $14, meio-pint $7
Astronete
Rua Matias Aires 183
Consolação, São Paulo
Tel (011) 3151-4568
22.12.09
Assessor parlamentar treta em prostíbulo e depois xinga a polícia
Muitos leitores de Mondo Cane reclamam da falta de matérias policiais pitorescas. A seguir, uma reportagem extensa, com detalhes que não saiu em nenhum outro lugar, sobre um assessor especial parlamentar que arranjou uma confusão num prostíbulo na semana passada e acabou preso por xingar policiais. O figura se identificou como secretário parlamentar do gabinete da liderança do PT na Assembléia Legislativa de São Paulo. A foto ao lado foi feita pelo colaborador Magrão.O assessor especial parlamentar Valmir Moyses, de 48 anos, foi preso na madrugada do último dia 16 após desacatar policiais militares na região de Sapopemba, Zona Leste da capital paulista. Antes, ele tinha se envolvido numa briga dentro de uma casa de prostituição. Depois de se recusar a ser medicado num hospital, Moyses foi levado para o 70º DP (Sapopemba), onde passou a chamar os policiais de "ladrões de caixas eletrônicos" e "corruptos", entre outras ofensas. Nesse momento, ele recebeu voz de prisão por desacato.
Moyses passou o começo da madrugada na boate Carícias, na Avenida Sapopemba, bebendo na companhia do metalúrgico José Paulo Ferreira, de 30 anos. "A gente se conhecia há três meses. Fomos apresentados por um amigo comum", disse Ferreira. A confusão entre os dois começou na hora de pagar a conta. "Pedi para ele pagar a minha conta e disse que eu pagaria depois para ele. Ele começou a gritar comigo e bateu no meu peito", contou o metalúrgico. Ferreira, que pratica vale-tudo, pediu para o assessor parlamentar não encostar mais nele, mas não foi obedecido.
"Ele bateu no meu peito de novo e achou o que ele queria", afirmou Ferreira para justificar o soco que desferiu contra o nariz de Moyses. Os dois começaram a brigar e foram expulsos da boate por um segurança. A Polícia Militar foi acionada para conter os brigões, que continuavam discutindo do lado de fora. "Minha equipe chegou no local e explicou que os dois deveriam ir para o pronto-socorro do Jardim Iva e depois para a delegacia, caso algum deles tivesse interesse em prestar queixa", relatou o sargento Roberto Lima Fernandes, da 3ª Companhia do 19º Batalhão da PM.
Ao chegar no hospital, Moyses não quis receber atendimento médico, ao contrário do metalúrgico. "Ele se negou a ser socorrido, alegando que os PMs queriam torturá-lo dentro do PS", contou o sargento. Foi quando, segundo os policiais, o assessor começou a fazer um escândalo, dizendo que pagava os salários dos PMs. Moyses também resolveu dar uma carteirada, mostrando um documento de assessor especial parlamentar. "Ele chegou a dizer que era assessor do José Dirceu", relatou o sargento. Depois que o metalúrgico foi medicado, a PM levou os brigões até a delegacia.
Ao entrar no DP, Moyses deu dois tapas no rosto e um chute nos testículos do metalúrgico. Os policiais seguraram Ferreira para ele não revidar a agressão. Em seguida, o assessor passou a ligar para amigos. Pelo celular, Moyses começou a questionar a conduta dos policiais, dizendo que eles eram violentos, corruptos e ladrões de caixas eletrônicos, entre outros adjetivos. O sargento Lima pediu que o assessor desligasse o telefone e depois o informou que ele estava preso por desacato. Eram 3h20 de ontem, quase uma hora e meia depois da confusão ocorrida no prostíbulo.
O sargento afirmou que Moyses não foi mal-tratado pelos policiais em nenhum momento. "Ele se identificou como assessor parlamentar, dizia que pagava nossos salários e menosprezava os policiais. Mesmo assim o tratamos com cordialidade, pois ele estava embriagado", afirmou Lima. Na delegacia, a polícia descobriu que Moyses já tinha sido preso antes por homicídio. A Polícia Civil não revelou detalhes do antecedente criminal do assessor.
"Todo mundo tem direito a um relaxamento"
Mesmo após receber voz de prisão por desacato, o assessor especial parlamentar Valmir Moyses continuou a dizer barbaridades na presença dos policiais. Enquanto era entrevistado por vários jornalistas, Moyses acusou a PM de ser envolvida com jogo do bicho, narcotráfico, roubo de caixas eletrônicos e sedução de menores. "A polícia é despreparada. O índice de PM que atira no próprio pé é altíssimo", disse Moyses, que também desprezou os policiais da Zona Leste. "Se (aqui) fosse Moema, eles seriam policiais melhores", disse, referindo-se a um bairro da Zona Sul.
O assessor admitiu que teve uma divergência com o amigo na hora de pagar a conta porque "bebeu um pouco a mais". Moyses disse que foi ele quem teria ligado para a PM. "O PM falou que ia me levar para o distrito, mas me levou para o hospital. Achei estranho", contou o assessor, sem dar maiores explicações. Ele afirmou que a polícia o teria levado à força para o pronto-socorro do Jardim Iva. "Se você não quer ir por bem, então vai por mal", teria dito um dos policiais, de acordo com Moyses, que afirmou fazer parte de uma comissão da Assembléia Legislativa que luta pelo aumento salarial de PMs.
Moyses reconheceu que estava se divertindo em um prostíbulo, mas fez ressalvas. "Eu não tive relação sexual com ninguém. Só tomei duas doses de uísque. Todo mundo tem direito a um relaxamento. Vai dizer que a PM também não relaxa?", questionou o assessor. "Se eu estivesse na igreja, a PM não estaria lá. Provavelmente, estaria para extorquir", voltou a atacar Moyses, que a cada minuto soltava uma frase contra a polícia. "A PM é mais bandida que os bandidos", acusou. Ele não poupou também o sargento que o prendeu. "Quem é esse PM para me dar voz de prisão?", perguntou Moyses, para em seguida chamar o sargento de burro e imbecil.
Questionado se seu comportamento não poderia prejudicá-lo no trabalho na Assembléia Legislativa, Moysés se comparou ao governador José Roberto Arruda, acusado de coordenar um esquema de corrupção em Brasília. "Eu não acho que a minha conduta é pior do que a do Arruda em Brasília", falou Moysés.
4.12.09
A morte de Leila Lopes: 2º ato
"A morte de Leila Lopes". Esse foi o título de uma postagem que entrou no ar em Mondo Cane no dia 16 de julho deste ano. O blog não tem poderes premonitórios. Estava apenas se referindo ao fim da carreira pornô de Leila Lopes, cuja personagem é assassinada no último filme de uma trilogia produzida pela Brasileirinhas com a direção de J. Gaspar.No dia 12 de maio de 2008, estive na festa de lançamento do primeiro filme de Leila Lopes, mas não tive nenhum interesse em entrevistá-la. Além de falar groselha, Leila não tinha um corpo interessante, era muito esquálida como essas modelos anoréxicas. Preferi papear com Cinthia Santos, que também havia sido contratada pela Brasileirinhas na mesma época e hoje é considerada uma das melhores atrizes de sexo explícito da atualidade.
Mais de um ano depois do debute de Leila Lopes no mundo da pornografia e quase quatro meses depois de Mondo Cane anunciar a morte da personagem safadinha dela, acabei indo cobrir o suicídio da atriz na madrugada de ontem. Uma fonte policial avisou alguns repórteres sobre o ocorrido. Em minutos, muitos jornalistas se concentraram em frente ao prédio da atriz em busca de informações.
Ainda de madrugada, ficamos sabendo do prato de comida com vestígios de "chumbinho" (veneno de rato) encontrado no apartamento. Um martelo, que teria sido usado para amassar o "chumbinho", foi apreendido por peritos no local. Também descobrimos sobre as cartas de despedida, mas naquele momento não deu para saber sobre o conteúdo delas. A fonte policial não tinha como lê-las na frente de outros policiais, pois acabaria se revelando.
Nesse momento, todos já sabem mais detalhes do caso por causa da ampla repercussão em sites e programas de televisão. Logo nas primeiras horas da manhã, o mano Fausto ligou-me para saber detalhes do suicídio. Talvez preocupado caso algum leitor não entendesse o motivo de eu ter escrito no primeiro post "A morte de Leila Lopes" que ele tinha motivos para comemorar o fato (no caso, o ficcional).
Até ontem de manhã, o post de Mondo Cane era um dos primeiros que apareciam no Google para quem fizesse uma pesquisa com as palavras "morte" e "Leila Lopes". Horas mais tarde o post desapareceu das primeiras páginas do Google após o humorista Rafinha Bastos, do CQC, fazer piada com a morte da atriz em seu Twitter e deixar milhares de internautas indignados.
28.11.09
Entrevista histórica 4: Walter Gabarron
Mondo Cane publica hoje a quarta e última parte da entrevista com o ator Walter Gabarron, um dos mais atuantes da fase explícita do cinema da Boca do Lixo de São Paulo. Veja também a primeira, a segunda e a terceira partes do bate-papo entre Gabarron e o escriba deste blog, que aconteceu no Teatro Orion, na Rua Aurora, República, região central de São Paulo, no começo de 1997. Na época da entrevista Walter estava prestes a completar 40 anos. Um câncer raro (Linfoma de Hodgkin) tirou a vida dele em 2005, aos 47 anos. Uma das últimas matérias feitas com Gabarron saiu na revista Isto É em outubro de 1996, de onde foi retirada a foto ao lado. Veja essa matéria clicando aqui.Você encerrou suas atividades como ator pornô quando?
Em 1995.
Depois de dois anos sem atuar, você sente vontade de retornar à carreira, esquecendo o lado financeiro? Ainda sente vocação para a coisa?
Como ator sim. De repente montar uma peça de teatro ou mesmo fazer um filme normal. Mas sem sexo explícito.
Você já filmou com o José Mojica Marins?
Já. Filmei o "48 Horas de Sexo Ardente" e a "Menina do Sexo Diabólico", que não foi direção dele, mas ele participou.
E nos filmes do Mojica que não eram de sexo explícito?
Eu participei de um antigo, que passou recentemente na TV (Bandeirantes), "Perversão". Mas era uma coisa bem pequena, papelzinho pequenininho, pois eu estava começando. Mas o Mojica é uma pessoa legal.
E como era o trabalho com o Mojica? Ele era muito exigente?
O Mojica é uma criança. É super amigo, super legal. Aquela ideia de diabólico não existe, é só fachada, é imagem. Ele é uma pessoa normal.
Você é dono do Teatro Orion ou trabalha aqui?
Sou funcionário. Eu fazia erótico. Entrei aqui em 1992. Antes disso, trabalhei no Teatro Márcia Ferro, em vários teatros. Vim para cá em 92, na época era comédia erótica. Era um trabalho de ator e juntava o sexo explícito. Era um complemento. Depois o público perdeu vontade de assistir peça, só queriam putaria mesmo. Aí mudou de dono e montaram striptease com sexo explícito. Continuei, saí e fiquei um ano fora. Voltei, tava só no show e no sexo explícito. Fiz novamente. Em agosto do ano passado, a Prefeitura, a polícia, não entendi direito até agora, cortaram o sexo explícito. Aí eu fiquei só coordenando o show (desde 1995, quando parou de atuar como ator pornô).
E o que alegaram para acabar com os shows de sexo explícito?
Pelo que eu sei, não tenho certeza, alegaram que é atentado ao pudor. Que mostrar o pênis em cena é mostrar objeto obsceno. Acharam que é imoral. Baseado nisso, eles cortaram (o espetáculo, não o pênis).
Nesta semana, a atriz caribenha Jasmin St Claire visitou o Brasil. Ela transou com 300 homens em um dia durante a gravação de um filme. Alguma atriz brasileira já tentou alguma ousadia parecida?
Trezentas relações em dez horas eu acho absurdo, impossível. Isso é papo, não existe isso. Agora até 20 por dia eu fazia no teatro Studio, na época da inauguração. Eram cinco sessões, em cada uma dela tinha quatro cenas de sexo explícito. Então eram 20 por dia, em seis ou oito horas. Mas 300 eu acho mentira.
E quais as melhores atrizes do nosso pornô?
Considero boas atrizes a Márcia Ferro, a Eliana na época que ela fazia, a Andrea Pucci, que é argentina, e a Sandra Midori.
A Malu Bailo já trabalhou em teatros eróticos, mas nega que fizesse sexo explícito, que era tudo simulação. É verdade?
Prefiro não falar (risos).
E esse pessoal antigo, tem como entrar em contato com algum deles?
O Oásis (Minitti) eu sei que está com uma casa de shows na Avenida São Jorge, onde era o Primo Saci, parece... A Sandra Midori casou e parou. A Márcia Ferro parou com tudo depois da morte do marido (Osvaldo Cirilo, que ela nega ter sido esposa dele). Andrea Pucci também parou. Porque o pessoal envelhece, né? Principalmente a mulher. Então, elas param.
Você está com que idade?
Farei 40 anos em maio.
14.11.09
O horror de Fauzi Mansur
Depois de José Mojica Marins, o Zé do Caixão, Fauzi Mansur foi um dos cineastas brasileiros que voltaram sua atenção ao gênero horror (na foto ao lado, de propriedade da revista Quem e tirada no ano passado, Mansur aparece entre as atrizes Nívea Stelmann e Bárbara Borges). Por esse motivo, o 4º Festival Curta Fantástico, o CineFantasy, realiza amanhã uma sessão especial para homenagear Mansur, um dos diretores que mais realizou filmes na Boca do Lixo de São Paulo. Serão exibidos três filmes do diretor e produtor, a partir das 15h, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), na Rua Álvares Penteado, 112, Sé, região central de São Paulo.Belas e Corrompidas (1977): Uma bela mulher começa a praticar assassinatos em série inspirada no caso de Landru, um serial-killer francês, com a ajuda de sua capacha horrível e corcunda, levam as vítimas a beira da loucura misturando sadismo, erotismo e morbidez gótica ritualística, logo passam a ser alvo de perseguição policia devido aos excêntricos eventos. Este filme contém cenas chocantes. Com Eudósia Acuña, Carmem Angélica, Carlos Bucka, Maria Isabel de Lizandra, Valéria D'Ellia, Paulo Domingues, Abrahão Farc, Márcia Fraga, Edward Freund, Heitor Gaiotti, Ênio Gonçalves, Stella Maia, Érika Maracini, Marthus Mathias.
Ritual Macabro (1990): Raro e valioso livro contendo informações sobre antigos rituais indígenas de pajelança é roubado por integrantes de grupo de teatro. Eles planejam encenar uma peça baseada nos textos, mas durante os ensaios um dos atores é possuído e começa a matar os demais, enquanto seu corpo se deteriora. Com Olair Coan, Carina Palatinik.
Atração Satânica (1990): Num balneário no estado do Rio de Janeiro, a radialista Fernanda apresenta seu programa com histórias de um assassino que extrai o sangue de suas vítimas, todas mulheres, para ressuscitar sua irmã morta. O que Fernanda não sabe é que sua história está realmente acontecendo, e tais assassinatos têm origem num culto de magia negra realizado 14 anos atrás, em que um casal de crianças foi entregue ao demônio. Enquanto tem um caso com o oficial de Marinha Lionel, Fernanda continua com seu programa, e as novas mortes levam a polícia a torná-la suspeita. Com Gabriela Toscano, Ênio Gonçalves, Emília Maser, André Loureiro, Olair Coan, Cláudia Alencar, Cláudio Curi, Antoine Rovis, Vera Zimmerman.
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2.11.09
Entrevista histórica 3: Walter Gabarron
Mondo Cane publica hoje a terceira parte da entrevista com o ator Walter Gabarron, um dos mais atuantes da fase explícita do cinema da Boca do Lixo de São Paulo. Veja também a primeira e a segunda partes do bate-papo entre Gabarron e o escriba deste blog.Você tem algum fato marcante ao longo de sua carreira que gostaria de comentar?
Em cinema o que eu posso dizer é que só não fui passivo. Já fiz cena com travesti, com homem, com mulher. Então eu já fiz de tudo. Tudo o que você possa imaginar. Sexo eu já fiz praticamente tudo. Só não dei o..., né, porque o resto...
A visão de uma pessoa que faz sexo profissionalmente muda em relação ao sexo na vida pessoal dela? Fazer sexo torna-se uma coisa sem graça?
Acaba. Você não vê mais graça em nada. Uma pessoa "normal" automaticamente se excita quando vê uma mulher nua, uma coisa natural. Para mim, ver uma mulher nua, às vezes é como não estar vendo nada. A menos que seja uma coisa que eu não vi na vida. E é difícil. Todas (as mulheres) são iguais.
E depende da circunstância também.
O cara paga e entra no teatro. Quando vê a menina pelada, ele já está excitado. No meu caso não, é preciso muito mais para isso. Você fica muito frio. Não só o homem, como a mulher. A mulher que faz sexo explícito se torna muito fria. Ela coloca outros valores, o sexo fica em 10º plano.
Você tem filhos?
Um casal. Minha filha vai fazer 18 anos e o menino, 16 (hoje, os filhos de Walter são 12 anos mais velhos).
Você continua casado com a Eliana?
Estou desquitado, separação consensual. Mas a gente se dá super bem. Moro com meus filhos. Eles hoje não aceitam mais que eu faça (sexo explícito). Mas o que está feito, está feito. Eles não gostam quando estão comigo na rua e de repente alguém me reconhece. Eles ficam meio constrangidos. Outro dia passei com meu filho na Avenida Ipiranga (Centro de São Paulo) e tinha dois gays lá, que disseram: "Olha o carinha do cinema. Gostoso! Pauzudo!". Sabe aquela coisa bem de viado? E o X. (diz o nome do filho) do lado, ele ficou super sem graça. A X. (diz o nome da filha) nem fala, ela não gosta nem que o namorado saiba. Outro dia em casa, ele estava lá e passei um filme meu, não pornô, para ele ver. Depois que ele foi embora, a X. chamou minha atenção porque ela não quer que ele saiba que eu sou deste meio. É um preconceito por parte dela. O X. já nem tanto. Mas ela não gosta nem um pouco.
Talvez por ele ser homem.
Acho que sim, porque ele está doido para fazer 18 anos e vir aqui (no Teatro Orion).
Soube por meio de uma coluna do Arnaldo Jabor que a sua ex-esposa virou religiosa.
Saiu na coluna do jornal falando a respeito dela quando fez o filme Cléopatra. E depois, essa mesma citação é publicada no livro dele. Ela parou mesmo, virou Testemunha de Jeová, não quer nem saber disso. Aliás, ela tem nojo disso.
Faz tempo que ela se converteu?
Foi nas filmagens de Cléopatra. Exatamente 11 anos (essa entrevista com Gabarron é de 1997).
E há quanto tempo vocês estão separados?
Faz um mês hoje (não lembro o mês da entrevista, mas foi no primeiro semestre de 1997). Legalmente foi agora, um mês atrás.
E mesmo com ela tendo se convertido há muito tempo atrás, você continuou atuando no meio pornô.
A gente ficou esse tempo junto tentando. Eu tentando entender a religião dela, que eu não entendo até hoje e ela tentando entender o porquê de eu ter continuado. Ela queria que eu me convertesse ou pelo menos que eu largasse disso, partisse para outra. Mas é difícil. Se a gente tivesse uma situação melhor de trabalho, ainda dava. Mas é difícil.
(Continua)
30.10.09
Sobre loira e lobos
Para quem saiu do planeta e não sabe do que estamos falando, segue abaixo a matéria "Taleban na faculdade" (ótimo título), publicada hoje na Folha de S.Paulo. Notem que foi um bando de recalcadas quem deu início à confusão ao intimidar a voluptuosa loira no banheiro. Para a vítima, o grupo de garotas agiu por inveja e incitou os garotos a participarem da balbúrdia. Admira saber que as formas da loira também tenham causado tanta repulsa aos rapazes da faculdade. Por isso, esses caras já foram batizados de "unibambis" em alguns fóruns na internet.
Taleban na faculdade
Em universidade de São Bernardo, multidão de alunos persegue colega de microvestido, que só consegue sair escoltada pela PM
LAURA CAPRIGLIONE
DA REPORTAGEM LOCAL
MARLENE BERGAMO
REPÓRTER-FOTOGRÁFICA
Pu-taaa! Pu-taaa! Pu-taaa! Cerca de 700 alunos da Uniban, Universidade Bandeirante de São Paulo, campus de São Bernardo, pararam as aulas do noturno para perseguir, xingar, tocar, fotografar, ameaçar de estupro, cuspir. Tudo isso contra uma aluna do primeiro ano do curso de turismo, 20 anos, 1,70 metro, cabelos loiríssimos esticados e olhos verdes, que compareceu à escola em um microvestido rosa-choque, pernas nuas com pelinhos oxigenados à vista, salto 15, maquiagem de balada, na quinta-feira da semana passada (22).
Michele Vedras (nome fictício inventado por ela em um blog) só conseguiu sair da escola sob escolta de cinco soldados da PM, duas mulheres inclusive, que tiveram de usar spray de pimenta para conter os mais exaltados e abrir caminho entre a massa. Vídeos do ataque circulam pela rede, um deles intitulado "A Puta da Uniban".
O microvestido rosa-choque de Michele, naquele dia, andou de ônibus -no total, a moça gasta duas horas para ir e voltar da faculdade. Mereceu elogios -"Gostosa!"- durante o trajeto. O mesmo vestido foi usado na festa de aniversário da sobrinha de Michele, uma festinha em família. Mas, na Uniban, onde a moça chegou às 19h45, o tempo esquentou.
Estudantes de outros cursos que não os de turismo, entrevistados pela Folha anteontem, criticaram Michele. "Ela veio provocar." "Ela andava rebolando." "Deixou cair uma carteira, de propósito, só para ter de se agachar." "Aquilo não é roupa de vir à faculdade."
Estudantes do curso de turismo ouvidos pela Folha defenderam a colega. "Ela sempre anda assim, de um jeito ousado." "Ela faz esse estilo mulherão mesmo." "Ela é avantajada, sim. Mulheres com a autoestima lá embaixo morrem de inveja." "É uma vergonha para a escola ter alunos assim. Parece que esses caras nunca viram uma mulher."
Desfile na rampa
O prédio da faculdade de turismo tem um átrio central cercado de rampas por todos os lados. Quando Michele chegou à escola e começou a subir uma rampa, os rapazes ficaram paralisados. Alguns conseguiram se mexer. Mas para ir ao prédio vizinho, chamar colegas para ver também. A pequena multidão, até aí, tinha cerca de 200 pessoas, segundo um estudante. Muitos assobiavam.
Michele achou melhor sair da rampa no segundo andar e usar a escada para chegar ao terceiro, onde fica a classe dela.
As aulas começaram. Às 20h30, a jovem resolveu ir ao banheiro. Uma colega de classe fez questão de acompanhá-la, receando algum problema. "Eu estava com receio, mas nem podia imaginar o que viria daí para frente", disse Kelly Andrezzi dos Santos, 19. De repente, algo como 20 garotas de outros cursos invadiram o banheiro. Queriam obrigar Michele a vestir uma calça, xingavam-na, diziam que ela estava provocando, "causando".
A confusão foi a senha. Rapazes saíam de suas salas e se aglomeravam na porta do banheiro das mulheres. O professor Rubens, de Desenvolvimento Gerencial, que dava aula para a classe de Michele, teve de sair da sala em operação de resgate. Foi acompanhado por colegas de turma.
"A gente teve de distribuir tapas nas mãos dos meninos, que tentavam enfiar o aparelho celular no meio das pernas [da Michele], para tirar fotos", lembra a amiga Amanda de Sousa Augusto, 19, aluna da mesma classe. "Foi uma agressão, uma injustiça. A Michele é uma superboa pessoa."
A turma do professor Rubens voltou para a sala e se trancou nela. A essa altura, a maioria dos garotos dos dois prédios da Uniban já tinha saído de suas classes. Eles revezavam-se no visor da porta, pulavam para alcançar uma janela mais alta.
O coordenador de curso subiu até a classe sitiada. Pediu que Michele fosse embora. Que ela vestisse o jaleco dele ao sair. E foi-se. Michele não quis sair.
O namorado ia buscá-la no fim do período de aulas -iriam juntos a uma festa.
Presos na sala de aula, a turma e o professor ouviam os estudantes lá fora gritando. "Solta ela, professor! Deixa pra nós." "Vamos estuprar!" Colegas de classe colaram folhas de fichário por dentro da janela, para evitar os olhares.
A essa altura, Michele chorava, desmanchando a maquiagem. Um chute na porta, a maçaneta voou. Machucou o professor. Três seguranças se apresentaram na sala. O mais graduado dirigiu-se à moça: "Bonito, né... Vir à faculdade dessa maneira". Ele queria que Michele saísse naquele momento, mas a representante de classe não permitiu. Achava que a colega corria risco. Chamou o 190.
"Seus coxinhas [PMs], vão levar a gostosa?", um aluno uivou no ouvido de A., um dos policiais que atendeu ao chamado.
Quando Michele passou, escoltada, na frente da sala dos professores, uma docente fez questão de sair. Com uma careta, perguntou: "É essa a fulana?".
Na catraca da escola, sempre sob a escolta policial, Michele viu entre os que a agrediam uma menina com o celular na mão, fotografando a sua vergonha: "Ela pega o ônibus comigo todo dia. Sempre quietinha.
Mas naquele dia, ela atacava irada: pu-ta, pu-ta. Não entendi por que tanta raiva".
Filha de uma dona de casa e de um supervisor de serviços, ambos apenas o primário completo, Michele tem um irmão de 32 e duas irmãs (30 e 16). O pai é quem paga os R$ 310 de mensalidade. Mora em um bairro popular em Diadema. Já trabalhou em um mercadinho.
Michele não pretende abandonar a faculdade. Hoje, ela comparece pela primeira vez à Uniban, desde o episódio, para depor em uma sindicância que apura o ocorrido. A jovem tem ficado reclusa. "Sempre ando arrumada, salto alto e maquiada. É assim que me vejo. É assim que eu sou. Mas, desde aquela quinta-feira, não consigo mais ser quem eu era. Só me visto de calça e camiseta e a maquiagem ficou na gaveta", disse.
27.10.09
Atriz global defende pornochanchadas
Os diálogos escassos podem dar a falsa impressão de que Yolanda, mãe de Ariane (Christine Fernandes), é novata em novelas. Ledo engano. A intérprete da personagem da novela "Viver a Vida" é Sandra Barsotti, protagonista de sucessos na TV na década de 70, e que, surpreendentemente, ficou 33 anos afastada do horário nobre."Manter-se na TV depende de muita disposição. É um tal de ligar para diretor, ligar para autor...", justifica a atriz, que assumiu a personagem a convite do produtor de elenco Luiz Antonio Rocha. "Ele trabalhava na Record quando me chamou para trabalhar lá. Só não pude aceitar porque movia um processo contra a emissora", afirma, referindo-se à ação por uso indevido de imagem que ainda corre na Justiça.
Segundo Sandra , o programa "Fala que eu te escuto", da Igreja Universal, utilizou-se de cenas suas na novela "Velas de sangue" (Record, 1997) para tratar sobre exorcismo. "Não me arrependi. O que eles fizeram foi um desrespeito". Sandra admite que esse temperamento pode ter prejudicado sua carreira. Por conta disso, fez alguns "inimigos".
Walter Avancini, diretor morto em 2001, foi um deles. "Trabalhava em Portugal quando ele me convidou para fazer uma novela na Tupi. Me convenceu a voltar ao oferecer um salário três vezes maior do que eu ganhava quando havia deixado o país. Só omitiu que a inflação tinha camuflado esse aumento. Fiquei possessa".
Aos 57 anos, Sandra defende as pornochanchadas, gênero que a lançou ao estrelato. Foi pelo sucesso dela em filmes do tipo que foi chamada para estrelar "O Casarão" (1976), clássico da teledramaturgia brasileira. "Hoje qualquer novela das seis tem cenas mais pesadas", compara a atriz, que nota certa diferença na maneira como se faz TV hoje. "É engraçado como os jovens cumprem um ritual para entrar em cena. Fazem treino de voz, vários exercícios... Antes era tudo mais simples", diverte-se.
(Matéria de Juliana Alencar publicada no jornal Diário de S.Paulo em 20/10/2009)
Clique aqui para conferir a filmografia de Sandra Barsotti e aqui para ver um blog dedicado à atriz.
1.8.09
Entrevista histórica 2: Walter Gabarron
Mondo Cane publica hoje a segunda parte da entrevista com o ator Walter Gabarron, um dos mais atuantes da fase explícita do cinema da Boca do Lixo de São Paulo. Na foto ao lado, Gabarron aparece entre as atrizes Paula Sanches (à esquerda) e Cláudia Wonder, no filme "Sexo dos Anormais", dirigido em 1984 por Alfredo Sternheim.Como sua família reagiu quando você começou a fazer filmes pornô? Teve algum problema?
Da família exatamente não. Porque eu sou órfão de pai e mãe. Então eu considero família pai e mãe. Fui criado separado dos meus irmãos. Mas quando saiu em 84 uma matéria sobre mim no jornal, acho que foi a primeira colorida do NP (Notícias Populares): "Marido e esposa ganham a vida fazendo sexo". Eu atuava com minha mulher (no cinema). E a matéria saiu bem grande. Foi um choque. Meus tios ficaram furiosos. No dia que saiu a matéria, eu fui para o interior, onde eles (tios) moram. Cheguei lá, tinha uma festa. Cheguei e eu não sabia se entrava ou se voltava pra rodoviária, porque a recepção foi péssima. Eu tenho uma tia que é freira. Ela foi quem quebrou o gelo, "vamos entrando", tal. Entrei e então entendi a situação. Este jornal estava bem na mesinha. Aí deles eles foram entendendo. Passaram a entender que era um trabalho artístico, que era uma coisa profissional.
Onde você nasceu?
São Paulo.
Mas a família é do interior?
Interior de Jaú. Eu fui criado lá. Fui criado em Jaú até os 12 anos. Depois que eu vim para São Paulo para morar com meu pai, pois a minha avó, que me criava, morreu. Quando fiz 14 anos, meu pai morreu. Aí eu caí no mundo, fiquei sozinho. Nunca dei muita importância pro lado de família não.
Trabalhar com teatro (infantil) foi seu primeiro emprego?
Não. Antes disso fiz um curso no Senai, me formei em eletricidade. Fui secretário, um monte de coisa.
Mas chegou a exercer a profissão?
Não sei nem instalar uma lâmpada hoje.
Ficou só no curso mesmo.
Só no curso. Não gostava, eu fiz exatamente por causa deste negócio de família: "não, tem que ter uma profissão". Aí eu fui e fiz. Me formei, só que o diploma está enfiado em uma gaveta não sei onde.
As pessoas que trabalham pela primeira vez numa peça pornô chegam com algum bloqueio pra desenvolver o papel? Como é que você faz para quebrar esse bloqueio deles? (Nota de Mondo Cane: na época, Walter Gabarron coordenava as apresentações no Teatro Orion)
Bem, a inibição pra teatro... Principalmente para fazer uma cena de sexo no teatro ao vivo, o cara leva, se ele nunca fez nada, uma semana (pra perder a inibição). E mesmo assim, às vezes não consegue, desiste.
Aí você vai fazendo ensaios com ele até botar ao vivo...
O ensaio é feito em cena mesmo, com o público, porque não tem como (ser o contrário). De repente o cara consegue (fazer sexo) sem ninguém (olhando), mas quando ele vê 10 pessoas na platéia não consegue.
No teatro, para a mulher o trabalho é mais fácil, sendo que o homem tem a obrigatoriedade de ter uma ereção...
O homem é o seguinte: ou sobe ou não sobe.
Se não subir, como é que faz na hora? Como que improvisa?
Neste caso eu tenho bastante experiência. Então eu tinha (para escolher) todas as posições na época que eu fazia (peças pornôs). São 20, 30 posições. Dentre elas eu escolho aquela que não mostra (o órgão penetrando). Eu faço um simulado muito bem feito e às vezes o pessoal não percebe. Agora quem não tem a manha é vaiado, é brocha daqui, brocha dali. E acontece, porque tem hora que você tá com dor de cabeça, não tá legal, você não está bem, o pau não sobe mesmo. Quanto mais a menina chupa, mais ele cai, entendeu? Aí o cara é vaiado mesmo.
(Continua)
Veja a primeira parte aqui.
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30.7.09
Atriz lançada por David Cardoso morre durante gravação de filme
Uma atriz que estava iniciando a carreira no cinema da Boca do Lixo teve um final trágico quando participava de seu segundo filme. Waldirene Manna morreu aos 18 anos, no dia 5 de março de 1988, quando atuava na filmagem de "Feitiço do Gavião", do diretor Rubens da Silva Prado. Um ano antes da tragédia, Waldirene foi convidada por David Cardoso para participar do filme "O Dia do Gato". Rubens da Silva Prado foi acusado pela morte de Waldirene, ocorrida em uma cachoeira na cidade de Guararema, na Grande São Paulo. Prado corria o risco de pegar uma pena de seis a 20 anos de prisão depois que a promotora Eliana Passarelli Lepera, da Vara Distrital de Guararema, ofereceu denúncia contra ele, no dia 14 de novembro de 1989, pelo crime de homicídio doloso (com intenção de matar).
Segundo informações da promotora na época, Prado fez com que Waldirene se embrenhasse nas matas que circundavam a Cachoeira do Putin durante a gravação de uma cena. O diretor teria pedido para Waldirene ficar de pé sobre uma pedra limosa, em local perigoso e de difícil acesso, perto da cachoeira. A atriz escorregou e caiu de uma grande altura, morrendo afogada. Seu corpo nu foi encontrado entre as pedras. Não havia rede ou qualquer dispositivo de proteção para conter a queda da atriz.
Para a promotora, Prado assumiu o risco de provocar a morte da atriz ao não oferecer segurança para ela. "No empenho de ver o filme realizado de acordo com sua idealização, levou à frente a execução (do filme), ante a possibilidade de ocorrer uma tragédia. Com isso, deverá agora responder por crime de homicídio simples, capitulado no artigo 121 do Código Penal", noticiou o DIÁRIO POPULAR na época em que a promotora ofereceu denúncia contra o diretor.
A promotora pediu que fossem ouvidas no processo 21 testemunhas, a maiora delas integrantes da equipe cinematográfica, além da mãe e de uma irmã da vítima. O jornal O GLOBO também noticiou a morte de Waldirene Manna durante as filmagens de "Feitiço do Gavião". Mondo Cane não encontrou mais registros do caso em arquivos da grande imprensa. Pesquisadores de cinema afirmam que Prado evita comentar o assunto até hoje, tema tão delicado para ele quanto os pornôs que dirigiu após o sucesso em filmes do gênero faroeste.
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20.7.09
Entrevista histórica: Walter Gabarron
Walter Gabarron foi um dos atores mais atuantes da fase explícita do cinema da Boca do Lixo de São Paulo. Ele atuou em quase 100 filmes, a maioria deles ao lado da ex-mulher Eliane Gabarron. O casal se conheceu em uma companhia de teatro infantil em 1975 e nos dois anos seguintes fez pontas nas novelas "Éramos Seis" e "Tchan: A Grande Sacada", ambas na TV Tupi. O casal também fez uma pequena participação no filme "Perversão - Estupro" (1978), de José Mojica Marins. Com a chegada do cinema de sexo explícito na Boca no início dos anos 80, Walter e a mulher resolveram abraçar o gênero, trabalhando com vários diretores. Pouco antes da extinção das produções da Boca, Eliane largou a carreira ao se converter em testemunha de Jeová, mas Walter continuou trabalhando como "expliciteiro" em peças de teatro. Walter não chegou aos 50 anos de idade. Um câncer raro (Linfoma de Hodgkin) tirou a vida dele em 2005, aos 47 anos. Mondo Cane presta um tributo ao ator com essa entrevista que encontrei perdida em um baú de casa. Eu e um amigo estávamos passando em frente ao Teatro Orion, na Rua Aurora, República, região central de São Paulo, no começo de 1997, quando reconheci Walter parado na porta do estabelecimento. Eu estava no segundo ano de faculdade e perguntei se poderia entrevistá-lo. A entrevista será publicada em várias partes, uma vez por semana, pois o material é extenso. A foto ao lado foi tirada do filme "A Menina do Sexo Diabólico" (1987), dirigido por Mário Lima.Quando você começou sua carreira?
No meio artístico estou desde 1975. Comecei fazendo teatro infantil, de 75 a 77. Aí eu parei. Voltei em 1983 e já estava na época do filme erótico. Fui convidado, pensei bem e resolvi fazer o primeiro: "O Delicioso Sabor do Sexo" (1984). Foi feito com o nome de "Mulher... Sexo... Veneno (1984), só que aí não foi possível (a minha cena entrar no filme) e eles (diretor e produtor) guardaram a filmagem. O que foi filmado (comigo), depois jogaram no outro filme, "O Delicioso Sabor do Sexo". Aí o pessoal descobriu e toquei adiante.
O que ocasionou a interrupção de 1977 a 1983?
De repente eu casei, tive uma filha e viver de teatro (na época eu fazia mais teatro, o cinema mesmo comecei a fazer em 1983), principalmente infantil, é impossível. Aí eu larguei (a carreira de ator) e fui trabalhar normalmente.
No tempo que você trabalhava com teatro infantil era de forma independente?
Era uma companhia. Companhia Teatro Infantil Paulistano. Era uma companhia profissional, nós levávamos peças ao Teatro Ruth Escobar, Teatro Aquarius, que existia na época. Então a gente tinha uma temporada, viajava pra Santos, pro Interior, fazendo peças como A Gata Borralheira.
O trabalho teatral começou por influência de alguém ou...
Eu entrei no teatro através de uma agência de empregos. Fui procurar emprego, na época do Exército não conseguia emprego. Fui em uma agência de serviços temporários e me indicaram a Companhia Teatro Infantil Paulistano pra fazer uma temporada de festa junina no Playcenter. Pra dançar quadrilha, esse negócio todo, casamento caipira, tal. Então como estava sem fazer nada e o cachezinho era bom, eu fui. Aí me interessei pela coisa, a dona da companhia gostou de mim, conheci minha mulher (Eliane Gabarron) lá. Entrei através de uma agência de emprego, quando eu nem pensava em mexer com esse tipo de coisa.
E quanto tempo você trabalhou com teatro e cinema pornô? Primeiro foi o cinema, não?
Primeiro foi o cinema, de 83 a 89. Foi quando o cinema funcionava, era um filme atrás do outro, uma produção atrás da outra. Aí em 89 parou completamente.
Plano Collor?
Não sei o que foi. Os produtores disseram que o exibidor queria uma porcentagem muito alta da renda, então para eles não compensava. Compensava mais pegar um filme de fora e aumentar um pouquinho, porque o filme de fora é menor, é curto, e colocavam um enxertozinho qualquer para lançar aqui. Para eles (produtores e exibidores) é mais negócio pegar um filme de fora do que produzir aqui.
Fale um pouco sobre o mercado de vídeos nacionais, comparando com o externo hoje. O vídeo nacional está prejudicado ou está ganhando espaço? Como é agora em relação há 10 anos?
Hoje em dia os filmes nacionais estão um porcaria. Estão pegando um elenco de péssima qualidade, pessoas que de repente só sabem fazer sexo, e mal. Então não consegue crescer nunca.
Quando atuava, você obteve algum tipo de reconhecimento? Como foi a repercussão dos filmes?
Foi bom, tanto que ando nas ruas e o pessoal reconhece. Em termos de grana, é aquela coisa, nós estamos no Brasil. Então você ganha para fazer um filme, acabou o filme você tem que fazer outro, senão você não ganha. Você não tem bilheteria, não tem porcentagem nenhuma, o sindicato não faz porcaria nenhuma pelos atores. Sou sindicalizado, tenho DRT, sou profissional, mas não há apoio nenhum.
Um dos principais problemas, hoje, do vídeo pornô brasileiro é a qualidade dos atores...
Com certeza.
Além disso, qual seria outro grande problema?
É o preconceito muito grande que se tem do produto brasileiro. Ninguém gosta. Prefere o de fora. Você tem uma mulher bonita aqui fazendo (pornô), eles (consumidores brasileiros) preferem uma magra peituda lá de fora. Não tem jeito. Eles (os gringos) alugam um iate, filmam no iate. Aqui não, alugam um (apartamento) quitinete vagabundo e vão fazer o filme. São duas ou três posições. Aquela coisa maçante, sabe, não é mais como no início do cinema. Porque na minha época, eles faziam o filme para o cinema. Depois de pronto para o cinema, eles passavam para o VHS. Depois tentaram filmar diretamente para o vídeo. Ficou uma porcaria. Fiz uns 4, 5 filmes. Uma merda.
E quantos filmes você fez ao longo da carreira?
Mais de 100. (Foram) 115, 120, por aí.
E todos saíram em vídeo no Brasil?
Todos foram feitos para o cinema e depois passados para vídeo.
(Continua)
19.7.09
"Um buraquinho não faz mal pra ninguém"
"Elas São do Baralho" (1976) foi o terceiro dos cinco filmes dirigidos pelo novelista Silvio de Abreu na Boca do Lixo de São Paulo. Trata-se de uma das pornochanchadas produzidas com esmero pela Cinedistri, companhia fundada em 1949 por Oswaldo Massaini na Rua Dom José de Barros, no Centro de São Paulo, e que sete anos depois se instalaria na Rua do Triunfo, a principal central de produção do cinema da Boca do Lixo.Silvio de Abreu desenvolveu o argumento e roteiro de "Elas São do Baralho" com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho. Eugênio Miranda (Cláudio Corrêa e Castro) é um executivo de uma corretora de valores em Belo Horizonte que, a contragosto, é transferido para a filial de São Paulo a fim de melhorar o desempenho da filial paulista. Ele viaja com a mulher Angélica (Sônia Mamed), quando tem o carro abordado por assaltantes, entre eles o gaiato Pirilampo (Adoniran Barbosa).
O mineiro ainda sofre na mão de um grupo de menores golpistas. Um dos moleques espanta os ladrões ao imitar a sirene de uma viatura, mas outro pivete furta a chave do carro sem que Eugênio veja. Os moleques exigem uma recompensa para procurarem a chave do veículo. Depois de embolsar uma grana do executivo, os dois garotos entram no carro para ensinar o executivo como sair do matagal.
No meio do caminho, os moleques queimam um chumaço de pano e o atiraram pela janela, depois que o cheiro impregnou o interior do carro. Os meninos fazem Eugênio acreditar que o automóvel está com problema do motor e o levam até um mecânico golpista, que arranca dinheiro do mineiro sem o menor esforço. Eugênio ainda perde uma grana ao se envolver em um acidente de trânsito.
A estadia do executivo em São Paulo piora depois que um policial chega no local do acidente e pede os documentos do carro. Eugênio explica que foi assaltado e o policial questiona se ele tinha dado queixa do roubo. O mineiro e a mulher são levados para prestar esclarecimento na delegacia, onde acabam presos e humilhados pelo delegado de plantão (Carlos Koppa).
Com a prisão dos assaltantes e o encontro do documento de Eugênio entre os objetos apreendidos com o bando, o mineiro é libertado. Ao chegar no escritório no dia seguinte, Eugênio descobre que os corretores paulistas não costumam aparecer tão cedo no serviço e avisa que vai instituir o livro de ponto. Os paulistas decidem armar uma festinha surpresa para o executivo mineiro.
A festa em questão reunirá várias mulheres nuas. Os corretores perguntam se o executivo toparia participar de uma reunião mais íntima, para que todos se conhecessem. Eugênio relata que em Belo Horizonte costumava se encontrar com os amigos de trabalho para jogar buraco. "Um buraquinho não faz mal para ninguém", observa o mineiro, fazendo com que os subordinados caíam na gargalhada.
No dia da farra, Eugênio aparece na festa surpresa com a mulher do lado. A confusão começa, quando os paulistas tentam esconder a mulherada pelada no apartamento para que a esposa do mineiro não perceba a real intenção do encontro promovido por eles. A balbúrdia aumenta mais ainda com a chegada de um travesti faixa preta de caratê, que havia sido contratado para participar da festinha.
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