19.7.09

"Um buraquinho não faz mal pra ninguém"

"Elas São do Baralho" (1976) foi o terceiro dos cinco filmes dirigidos pelo novelista Silvio de Abreu na Boca do Lixo de São Paulo. Trata-se de uma das pornochanchadas produzidas com esmero pela Cinedistri, companhia fundada em 1949 por Oswaldo Massaini na Rua Dom José de Barros, no Centro de São Paulo, e que sete anos depois se instalaria na Rua do Triunfo, a principal central de produção do cinema da Boca do Lixo.

Silvio de Abreu desenvolveu o argumento e roteiro de "Elas São do Baralho" com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho. Eugênio Miranda (Cláudio Corrêa e Castro) é um executivo de uma corretora de valores em Belo Horizonte que, a contragosto, é transferido para a filial de São Paulo a fim de melhorar o desempenho da filial paulista. Ele viaja com a mulher Angélica (Sônia Mamed), quando tem o carro abordado por assaltantes, entre eles o gaiato Pirilampo (Adoniran Barbosa).

O mineiro ainda sofre na mão de um grupo de menores golpistas. Um dos moleques espanta os ladrões ao imitar a sirene de uma viatura, mas outro pivete furta a chave do carro sem que Eugênio veja. Os moleques exigem uma recompensa para procurarem a chave do veículo. Depois de embolsar uma grana do executivo, os dois garotos entram no carro para ensinar o executivo como sair do matagal.

No meio do caminho, os moleques queimam um chumaço de pano e o atiraram pela janela, depois que o cheiro impregnou o interior do carro. Os meninos fazem Eugênio acreditar que o automóvel está com problema do motor e o levam até um mecânico golpista, que arranca dinheiro do mineiro sem o menor esforço. Eugênio ainda perde uma grana ao se envolver em um acidente de trânsito.

A estadia do executivo em São Paulo piora depois que um policial chega no local do acidente e pede os documentos do carro. Eugênio explica que foi assaltado e o policial questiona se ele tinha dado queixa do roubo. O mineiro e a mulher são levados para prestar esclarecimento na delegacia, onde acabam presos e humilhados pelo delegado de plantão (Carlos Koppa).

Com a prisão dos assaltantes e o encontro do documento de Eugênio entre os objetos apreendidos com o bando, o mineiro é libertado. Ao chegar no escritório no dia seguinte, Eugênio descobre que os corretores paulistas não costumam aparecer tão cedo no serviço e avisa que vai instituir o livro de ponto. Os paulistas decidem armar uma festinha surpresa para o executivo mineiro.

A festa em questão reunirá várias mulheres nuas. Os corretores perguntam se o executivo toparia participar de uma reunião mais íntima, para que todos se conhecessem. Eugênio relata que em Belo Horizonte costumava se encontrar com os amigos de trabalho para jogar buraco. "Um buraquinho não faz mal para ninguém", observa o mineiro, fazendo com que os subordinados caíam na gargalhada.

No dia da farra, Eugênio aparece na festa surpresa com a mulher do lado. A confusão começa, quando os paulistas tentam esconder a mulherada pelada no apartamento para que a esposa do mineiro não perceba a real intenção do encontro promovido por eles. A balbúrdia aumenta mais ainda com a chegada de um travesti faixa preta de caratê, que havia sido contratado para participar da festinha.

17.7.09

Onde andará Zilda Mayo?

Aos 56 anos, Zilda Mayo continua com o corpo esbelto. Conheci a atriz no final de 2007, quando a entrevistei para a biografia de Sady Baby. Na ocasião, antes da entrevista, Zilda comentou que por causa da boa forma poderia posar nua se alguma revista masculina a convidasse e o cachê fosse interessante para ela. "Não precisariam tratar as fotos porque não tenho estrias nem celulite", afirmou a estrela, que hoje atua como produtora teatral no interior de São Paulo. Depois de algumas horas de bate-papo, comentei com Zilda que passaria o contato dela para o jornalista Nicolau Radamés Creti, que escreve a coluna Cadê Você, dedicada aos ídolos do passado. Algum tempo depois, Zilda saiu na coluna, cujo conteúdo está transcrito abaixo:

Atriz luta contra imagem de ter feito pornografia

Já faz quase 20 anos que a paulista Zilda Sedenho fez seu último filme. E faz 20 anos que ela vive um dilema: ao mesmo tempo em que encontra fãs carinhosos, que não se esquecem de seu rosto, ainda luta contra o preconceito de ser chamada de "atriz pornô", uma marca que não desaparece com o tempo.

"Fui muito julgada", desabafa Zilda Mayo, nome artístico com o qual ficou conhecida ao longo de 42 filmes e alguns trabalhos na televisão e no teatro. "Sofri e ainda sofro muito preconceito. Nunca fiz filme de sexo explícito, mas as pessoas acham que fiz. Não sou contra quem faz, mas não faria por dinheiro nenhum".

A explicação tem razão. Zilda é da época das famosas pornochanchadas, filmes hoje "inocentes", que chamavam muito mais a atenção pelos títulos maliciosos do que pelas cenas propriamente ditas. "Era uma época em que fazíamos dois filmes por mês", conta. "O diretor tinha que fazer tudo rápido, não podia repetir cena pra não gastar negativo... Mas, mesmo assim, era tudo feito com alegria. As pessoas iam mais ao cinema. Não tinha vídeo, shopping...", observa Zilda.

Apesar da declaração, não pense que tudo é romantismo para Zilda. Ao contrário. "Hoje, quando passa o tempo, você vê como foi explorada e teve a imagem usada. Os cachês eram miseráveis, não se ganhava dinheiro e a estrutura era pobre", revela. Hoje, Zilda finaliza um livro em que pretende contar tudo o que viveu nos sets de cinema e nos estúdios de TV. "Fui muito rotulada. Nem sempre fiz pornochanchada. E acho que esse rótulo me prejudicou muito na TV. A maioria dos diretores acha que eu só sei tirar a roupa", desabafa.

NO AUGE
Zilda Mayo tinha 22 anos quando fez seu primeiro filme, "Ninguém Segura Essas Mulheres". A partir daí, não saiu mais da telona: foram 42 filmes nas décadas de 70 e 80. Posou ainda para todas as revistas masculinas. Na TV, trabalhou com Sílvio Santos e fez trabalhos como a minissérie "Irmã Catarina", de 1996.

TESTE
1 - Qual foi o último filme de Zilda Mayo?
(A) Instrumento da Máfia
(B) Bacanais na Ilha das Ninfetas
(C) A Ilha dos Prazeres Proibidos

2 - Com que falecido ator Zilda Mayo contracenou na novela "Filhos do Sol", da extinta TV Manchete, em 1991?
(A) Carlos Augusto Strazzer
(B) Paulo Autran
(C) Luiz Armando Queiróz

3 - Na minissérie "Casa de Pensão", da TV Cultura, Zilda trabalhou ao lado de outra colega da época dos filmes de pornochanchadas. Quem era ela?
(A) Aldine Müller
(B) Helena Ramos
(C) Zaira Bueno

4 - Como se chamava o filme que contava a história de uma estudante assassinada no Rio?
(A) Caso Cláudia
(B) A História de Maria
(C) Amor Verdadeiro

16.7.09

A morte de Leila Lopes

A última cena de "Pecado Final", terceiro filme da trilogia pornográfica protagonizada pela atriz Leila Lopes que chegou às locadoras especializadas neste mês, pode provocar reações diferentes nas pessoas que o alugarem ou baixarem-no da Internet. Talvez o amigo Fausto Salvadori, chamado de violento e marrom por Leila, tenha motivos para comemorar.

É que a personagem de Leila no filme, a fogosa Marlene, que transforma em escravo sexual um inocente seminarista (Carlos Bazuca), será assassinada pelo amante numa cena cheia de dramaticidade. "O seminarista mata Marlene por não aguentar o intenso desejo que sente por ela e o forte conflito provocado por sua orientação religiosa", explicou Leila para a repórter Mariana Zylberkan, do Diário de S.Paulo.

Nesta terceira parte, a atriz participa de duas cenas de sexo, sendo que em uma delas ela contracena com outra mulher. "Chorei depois que filmei essa cena. Foi algo muito difícil para mim, porque sou totalmente heterossexual, mas já superei", relembrou Leila, que já havia gravado essa sequência na época do lançamento do primeiro filme.

As seis cenas de sexo – exibidas em "Pecados e Tentações", "O Pecado sem Perdão" e "Pecado Final" – foram rodadas de uma só vez, no final de 2007. Apesar de ter conquistado um novo nicho de fãs – "Pecados e Tentações" chegou às locadoras já com a primeira remessa esgotada –, Leila garante que não repetirá a dose. "Esses filmes foram um parêntese na minha carreira. Eu os abri e agora já os fechei. Meus projetos futuros envolvem o exercício do jornalismo", afirma a atriz, que apresenta o programa "Calcinha justa", exibido no canal fechado Sexy Privê Brasileirinhas, parceria da produtora com a Band, e um talk show na internet.

15.7.09

Cuidado: não cruze o caminho de Sady Baby em...

A palavra sadismo, que define a perversão sexual de ter prazer na dor física ou moral do parceiro, surgiu do nome de Marquês de Sade, como era conhecido o aristocrata e escritor francês Donatien Alphonse François de Sade (1740 - 1814). Mas bem que poderia ter originado do nome de Sady Baby, como é conhecido o cineasta gaúcho Sadi Plauth, que nunca soube quem era Marquês de Sade.

Todas as obras de Sady Baby são repletas de cenas de dominação. Geralmente o próprio cineasta aparece em cena obrigando alguém a manter relações sexuais com outra pessoa ou até mesmo com um animal. A coerção sempre acontece sob a mira de alguma arma. A satisfação com a morte alheia também está presente nos papéis interpretados por Sady em suas obras. E as seqüências mais criativas de homicídios podem ser vistas no filme "Emoções Sexuais de um Jegue" (1986).

Nesse filme Sady é o presidiário aidético Gavião. Após fugir da prisão, Gavião encontra uma loira perambulando por uma mata. Para tirar o atraso, o facínora arrasta a mulher para um local onde há um providencial caixão. "Esse é o caixão do amor. Estou com fome de sexo. Vou comer seu cu aqui dentro", diz Gavião para a beldade, uma das duas mulheres que são infectadas pelo bandido com o vírus HIV durante o filme.

A grande saga de Gavião em "Emoções Sexuais..." é encontrar seu pai, o caquético "velho Paçoca, para matá-lo. Isso porque o idoso engravidou a mulher do filho enquanto ele esteve em cana. Gavião ameaça esmurrar a barriga da mulher para que ela perca o bebê. No final, ele resolve atear fogo no casebre onde a adúltera mora. A mulher não consegue escapar do ato bárbaro porque o marido a amarrou e cobriu sua cabeça com um saco.

O criminoso fica sabendo que o pai também traçou a própria filha, ao ver o proeminente barrigão dela. O diálogo entre Gavião e a irmã é um dos momentos mais engraçados do filme. "Quem é o pai da criança?", pergunta o bandidão. "O pai", responde a irmã. "Que pai?", volta a questionar Gavião. "O nosso pai", explica a irmã. "Velho fedido. Eu vou comer o cu daquele velho filho da puta", resmunga o fugitivo, saindo no encalço do velho tarado.

Durante sua busca, Gavião obriga um médico a chupar uma ferida em seu braço, para infectá-lo com o vírus da Aids (a punição foi porque o médico prometeu uma cura para a doença e não cumpriu a promessa), e ainda mata um homossexual em uma boate, abrindo o tórax dele com uma motosserra. Mais para a frente o bandido é baleado por um homem de quem roubou um carro, mas o ferimento provocado pelo tiro não impede que ele continue atrás do "velho Paçoca". O tão esperado encontro acontece no final do filme.

“Emoções Sexuais...” tem duas cenas que comprovam a genialidade de Sady Baby. Em uma delas, o cineasta gaúcho aparece com uma motoserra cortando a barriga de um infeliz. Sady nunca viu “O Massacre da Serra Elétrica” nem “Evil Dead” ou qualquer outro filme de horror que influenciasse as cenas sangrentas de suas obras pornográficas. Na outra cena, Sady mostra o que faria se pudesse colocar uma câmera dentro da vagina da atriz. Como isso seria impossível, o cineasta pediu para um ator enfiar o pênis num pedaço de bife e registrou como seria um gozo visto do interior da vagina.

Aproveitando o sucesso de outro filme anterior dele, "Emoções Sexuais de um Cavalo", Sady Baby repetiu o título nessa sua obra de vingança trocando apenas o eqüino. Mas o jegue aparece em uma rápida cena e ainda decepciona os zoófilos de plantão. Mas os fãs de cinema extremo ou de ação vão se divertir com as peripécias do personagem interpretado pelo Marquês Sady.

O filme pode ser baixado aqui.

12.7.09

Grandes bundas: Ana Bella

Ana Bella foi uma das principais atrizes de filmes pornô da década de 90. Nascida em Blumenau (SC), Ana resolveu virar uma estrela pornográfica após ser incentivada por um namorado. A catarinense chamou a atenção dos pornógrafos por causa de seu rostinho angelical e de seu corpo de mulherão, cujo principal atributo é o bumbum perfeito (que continua maravilhoso até hoje, mesmo perto da estrela completar 30 anos de idade).

A beldade atuou em filmes do diretor Gregório de Mattos (pseudônimo de Orlando Gregório), como Incesto, Sexo Acidental, Rabo de Arraia e República do Prazer. Em entrevista publicada no jornal Folha de S.Paulo de 2 de janeiro de 1997, Gregório classificou Ana Bella como a “atual rainha do bumbum”. “Depois da Gretchen e da Rita Cadillac, é o bumbum que está despontando”, disse Gregório, que também afirmou na ocasião que valorizava as atrizes pornôs. “No Brasil não há ainda a classe de atriz pornô. São mal remuneradas e não sabem interpretar. Tem diretor que paga R$ 300 por filme. Acho um absurdo, uma exploração total. Pago R$ 800. Ana Bella, que é uma exceção, ganha R$ 2.000”, revelou Gregório.

Pouco antes da virada do milênio, Ana Bella abandonou a carreira de atriz pornô, quando era morena, e apareceu como figurante em programas de televisão, já loira. Assumindo o nome Ana Paula Gimenez, ela mostrou seu belo corpo em pegadinhas do extinto programa Festa do Mallandro, apresentado por Sérgio Mallandro na TV Gazeta. Antes disso, Ana Bella já tinha aparecido em quadros do programa Sílvio Santos e do Domingo Legal de Gugu Liberato.

Ela também chegou a integrar o conjunto Banana Split.Ana Paula Gimenez também fez vários ensaios fotográficos para revistas masculinas, como Sexy e Man. Ela também se exibiu ao vivo para internautas no site Dream Cam Club, além de fazer fotos sensuais para outros endereços na Internet. Parece que Ana Paula Gimenez quer esquecer o passado como Ana Bella, chegando ao ponto de já ter declarado que nunca tinha feito filme pornô. Hoje, os pornógrafos procuram os filmes de Ana Bella para baixar pela Internet. Dessa maneira, não há como deixar o passado de Ana Bella no esquecimento.

No covil dos Ratos de Porão

O diretor Fernando Rick não teve nenhum problema para entrar no covil do Ratos de Porão, banda cuja trajetória de 28 anos é marcada por histórias recheadas com drogas, brigas entre os integrantes e outras loucuras. Afinal de contas, o paulistano de 25 anos já tinha dirigido filmes de terror como Rubão, o Canibal (2002), Feto Morto (2003) e Coleção de Humanos Mortos (2005), antes de finalizar o documentário “Guidable — A Verdadeira História do Ratos de Porão”, que foi exibido em maio no Cine Olido, no Centro de São Paulo. Ele contou com a ajuda de Marcelo Appezzato, co-diretor da cinebiografia.

A ideia do documentário surgiu em 2006, quando Rick manteve um primeiro contato com a banda para dirigir o videoclipe da música Covardia de Plantão. Por causa das cenas explícitas de violência, o clipe não pôde ser exibido na MTV e virou febre entre os internautas. “O clip foi censurado pela Deckdisc (gravadora do Ratos)”, diz Rick. O vocalista João Gordo, também apresentador da MTV, resolveu convidar o jovem diretor para fazer o documentário da banda, uma das mais importantes do mundo na cena punk/hardcore/crossover.

“O Gordo entrou como produtor e não chegou a gastar R$ 5 mil no projeto”, recorda Rick. Segundo ele, os equipamentos para as filmagens foram cedidos por amigos e toda a equipe responsável pela fotografia, iluminação e áudio do filme trabalhou sem receber qualquer remuneração. “Todo mundo trampou de graça, foi tudo na brodagem”, conta Rick. As gravações do documentário ocorreram entre janeiro de 2007 e novembro de 2008. A edição foi concluída no começo deste ano e resultou num filme de 121 minutos.

Rick ouviu todos os integrantes que passaram pela banda e colheu imagens históricas para contar a história do grupo. “Guidable” não censura nada da vida dos integrantes do Ratos. Jabá, primeiro baixista da banda, estava internado na Febem por assalto à mão armada e, assim que saiu de lá, ajudou a fundar o Ratos com os amigos Jão e Betinho. Anos depois, Jabá foi expulso da banda por estar viciado em crack. Os membros do Ratos falam abertamente sobre o envolvimento deles com as drogas e não deixam de criticar um ao outro.

Rick lembra que sofreu para fazer a edição final do documentário, pois precisou deixar muito material de fora. “Se fosse usar tudo, daria uns 30 DVDs, cada um deles com oito horas de duração”, conta o diretor. Os fãs do Ratos serão recompensados no futuro, pois Rick promete lançar um DVD duplo com cinco horas de material extra.

11.7.09

Ele quer o triunfo do cinema paulista

A história de Rodrigo Montana, que quer resgatar a memória de artistas com a exibição de filmes no famoso cruzamento da Boca do Lixo

O grande centro produtor do cinema paulista nasceu no cruzamento da Rua Triunfo com a Rua Vitória, na Santa Ifigênia, região central de São Paulo, que ficou conhecida como Boca do Lixo. Fazendo jus aos nomes das vias públicas, o auge da produção cinematográfica ali aconteceu durante os anos 70. Nos dias de hoje, um senhor de 67 quer resgatar a história do cinema paulista, transformando o cruzamento numa sala de cinema, com a exibição gratuita de filmes para a população aos finais de semana.

O nome desse senhor é Cariolano Rodrigues Mineiro, que nasceu em Assis, a 444 quilômetros de São Paulo, e prefere ser chamado de Rodrigo Montana. Com 10 anos de idade, Montana começou no ofício de peão de boiadeiro. Ele tocava a boiada por estradas de São Paulo, Paraná e Mato Grosso. Mas aos 7 anos, o ex-peão já sonhava em trabalhar no cinema. "Eu assistia filmes do Roy Rogers e do Zorro nas matinês e dizia pros outros que um dia eu também estaria na tela".

Montana lembra que a oportunidade de entrar de vez para o mundo do cinema surgiu quando ele ainda era funcionário do setor de serviços gerais do Sport Club Corinthians Paulista em 1965, conforme comprova sua antiga carteira de trabalho. Nessa época ele ficou sabendo que diretores e técnicos se reuniam no Bar Porta do Sol, na Rua Sete de Abril, Centro de São Paulo. "Foi ali que consegui fazer uns testes e comecei como figurante nos filmes", recorda Montana.

Uma de suas principais atuações como figurante foi no filme "Corisco, o Diabo Loiro", dirigido por Carlos Coimbra em 1969. Nos anos seguintes, Montana dividiu as atividades de ator e assistente de produção em filmes do gênero faroeste como "Um Pistoleiro Chamado Caviuna" (1971), "Quatro Pistoleiros em Fúria" (1972) e "Trindad... é meu Nome" (1973), todos dirigidos por Edward Freund, um polonês radicado no cinema da Boca. "Eu era bom para morrer nos filmes. Fazia os vilões e nos filmes todo bandido morre", diz o ex-peão.

Depois de trabalhar com outros diretores consagrados, como José Mojica Marins, o Zé do Caixão, e Fauzi Mansur, Montana decidiu que era hora de ele mesmo rodar um filme. E em 1979 começou a filmar "Rodeio de Bravos", cuja maior parte da história se passa na cidade de Barretos, no interior paulista. Mas Montana não conseguiu levar sua obra para as telas dos cinemas de São Paulo. No ano seguinte chegava ao Brasil o filme japonês "O Império dos Sentidos", que trazia cenas de sexo explícito.

A partir de então, os exibidores paulistas só queriam lançar filmes com cenas semelhantes. "Queriam que eu inserisse cenas pornográficas no 'Rodeio de Bravos' e eu não quis. A pornografia acabou com o cinema paulista", afirma Montana. O filme do ex-peão só passou em dois cinemas em 1983: no Cine Ouro Verde, em Dourados (RS), e no Cine Rio Brilhante, em Rio Brilhante (MS). Com o fim do cinema da Boca, que era bancado com recursos próprios, Montana se dedicou às produções de rodeios e festas country.

Craques da película no lugar da Cracolândia

Já aposentado, Rodrigo Montana decidiu criar em 25 de julho de 2003 a "Associação São Paulo, a Cidade e o Cinema". Segundo Montana, o principal objetivo da entidade é resgatar a memória do cinema paulista, desconhecida pela maior parte da população. "Muitos jovens de hoje não sabem que 'O Pagador de Promessas' (de 1962) ganhou a Palma de Ouro em Cannes. O diretor desse premiado filme é Anselmo Duarte, um dos vários cineastas que passaram pela Boca do Lixo. "Ele merece ter um busto aqui na região", diz Montana.

Depois de conseguir estrear no cinema, o novo sonho do ex-peão é conseguir apoio da Prefeitura para realizar exibições gratuitas dos principais filmes da "Boca do Cinema" (Montana detesta a expressão Boca do Lixo) em plena rua. O ex-peão de boiadeiro já encaminhou ofícios para a Subprefeitura da Sé e espera contar com o apoio do órgão público para exibir filmes ao ar livre sempre, aos domingos, na Rua do Triunfo, entre as ruas Vitória e dos Gusmões. "Com a revitalização do Centro, a idéia é transformar isso aqui em uma rua de lazer", observa o ex-peão.

Em dezembro do ano passado, Montana teve a oportunidade de ter a ajuda da Prefeitura e pôde exibir duas obras cinematográficas para a população em um final de semana. Comerciantes da região cederam cadeiras para o público se sentar e conferir os filmes "Sedução" (1974), de Fauzi Mansur, e "Menino da Porteira" (1977), de Jeremias Moreira Filho. "O povo adorou e compareceu", recorda Montana, que também gostaria de oferecer à população apresentações de shows folclóricos e de rodas de capoeira, entre outras manifestações artísticas.

Montana acredita que a transformação da Rua do Triunfo em rua de lazer fará com que a região deixe de vez de ser conhecida como Cracolândia, por causa da presença dos usuários de pedras de crack. "Em vez disso, vamos oferecer os craques do cinema", brinca Montana, repetindo um trocadilho que ouviu do colega cineasta Luiz Gonzaga dos Santos, também integrante da associação. "Meu sonho é acabar com a Cracolândia e criar a Broadway paulistana", finaliza o ex-peão, sonhando alto.

Alguns momentos do Cinema da Boca do Lixo

1956 - A Cinedistri se instala na Rua do Triunfo. A companhia cinematográfica tinha sido criada sete anos antes por Oswaldo Massaini.

1962 - O filme "O Pagador de Promessas", dirigido por Anselmo Duarte e produzido pela Cinedistri, ganha a Palma de Ouro em Cannes.

1964 - O diretor José Mojica Marins lança "À Meia-Noite Levarei sua Alma", primeiro filme de seu personagem Zé do Caixão.

1967 - O ex-caminhoneiro Ozualdo Candeias dirige seu primeiro longa-metragem, "A Margem", um clássico do chamado Cinema Marginal.

1968 - Os produtores Antonio Polo Galante e Alfredo Palácios criam a produtora Servicine, responsável na realização de filmes com baixo orçamento.

1968 - O diretor Rogério Sganzerla lança seu primeiro longa-metragem, "O Bandido da Luz Vermelha", uma das obras-primas da Boca.

1972 - A ex-miss Vera Fisher estréia no cinema no filme "Sinal Vermelho - As Fêmeas", dirigido por Fauzi Mansur. Os filmes começam a apostar no erotismo por causa do público.

1974 - As estrelas Helena Ramos e Matilde Mastrangi fazem sua estréia no Cinema da Boca no filme "As Cangaceiras Eróticas", de Mauro Roberto.

1977 - O produtor David Cardoso resolveu estrear na direção com "19 Mulheres e um Homem", seu maior sucesso comercial até hoje.

1978 - O diretor José Miziara lança "O Bem-Dotado, O Homem de Itu", uma das várias pornochanchadas (comédias maliciosas) que atraíam o público para o cinema nos anos 70.

1981 - O diretor Rafaelle Rossi lança "Coisas Eróticas", primeiro filme brasileiro com cenas de sexo explícito e grande sucesso de bilheteria. A partir daí o gênero pornô predomina na Boca do Lixo.

1989 - O cinema da Boca do Lixo agoniza.

Flagrante: meninas aliviam a bexiga em frente ao Museu do Ipiranga

Mondo Cane flagrou duas mocinhas mijando na calçada em frente ao Museu do Ipiranga, na Zona Sul, há três anos. As duas beldades mijavam juntinhas ao lado de um Gol, onde um amigo delas aguardava. O carro de reportagem de Mondo Cane passava pelo local, quando nosso atento motorista viu as duas moçoilas se levantando. O piloto parou o carro imediatamente. Sem saber que tratava-se de uma equipe jornalística, as duas jovens decidiram se exibir. Elas abaixaram as calças e empinaram suas bundinhas gostosas. Nesse momento, o flash estourou, iluminando os rabinhos delas. “Nossa, eles estão tirando foto”, falou uma das garotas. Conseguir essas fotos foi o maior rabo.





As fotos são de Vinícius Pereira

27.5.09

Livro de dicas sexuais do bispo Macedo não existe

Depois de ensinar a técnica do "ou dá ou desce" para pastores conseguirem arrecadar dos fiéis o pagamento de dízimo, o bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) quer ensinar seus seguidores a fazer sexo corretamente?

Segundo um texto que circulou pela Internet, o bispo teria escrito um livro chamado Castigo Divino, no qual ele listaria os pecados relacionados a cada posição sexual e depois relataria qual a melhor maneira de copular temendo a Deus.

Mas tudo não passou de mais uma piada, que muitos compraram como verdade, entre eles o jornalista Moacir Japiassu, conforme pode ser visto na reprodução do blog dele logo abaixo desse post.

O bispo desmentiu em seu blog a existência do livro, ressaltando um detalhe simples: era preciso apenas uma simples pesquisa para constatar que o livro não existe em qualquer livraria.

As dicas de sexo
Para quem ainda não viu, segue abaixo o e-mail que circulou recentemente pela Internet com as (falsas) dicas sexuais do bispo Macedo.

Extraído do livro 'Castigo Divino', do bispo Edir Macedo, megapastor e líder da Igreja Universal do Reino de Deus.

O pecado das posições sexuais:

Posição de quatro:
É uma das posições mais humilhantes para a mulher, pois ela fica
prostrada como um animal enquanto seu parceiro ajoelhado a penetra.
Animais são seres que não possuem espírito, então o homem que faz o
cachorrinho com sua parceira fica com sua alma amaldiçoada e fétida.

Sexo Oral:
O prazer de levar um órgão sexual à boca é condenado pelas leis
divinas. A boca foi feita para falar e ingerir alimentos e a língua
para apreciar os sabores. A mulher, engolindo o sêmen, não vai ter
filhos. E o homem somente sentirá dores musculares na língua ao sugar
a vagina de sua parceira.

Sexo Anal:
O ânus é sujo, fétido e possui em suas paredes milhões de bactérias. É
o esgoto propriamente dito. No esgoto só existem ratos, baratas e
mendigos.. A pessoa que sodomiza ou é sodomizada se iguala a um rato
pestilento...
Seu espírito permanece imundo e amaldiçoado .
Mas o pior é quando o ato é homossexual, pois o passaporte dessa
infeliz criatura já está carimbado nos confins do inferno..

Veja a maneira certa de se relacionar sexualmente:

Posição recomendada:
O homem e a mulher devem lavar suas partes com 1 litro de água
corrente misturado com uma colher de vinagre e outra de sal grosso .
Após isso, a mulher deve abrir as pernas e esperar o membro enrijecido
do seu parceiro para iniciar a penetração. O homem, após penetrar a
mulher, não deve encostar seu peito nos seios dela, pois a fêmea deve
estar: Orando ao Senhor para que seu óvulo esteja sadio ao encontrar o
espermatozóide...

Depois do ato sexual:
Os dois devem orar, pedindo perdão pelo prazer proibido do orgasmo.

Como penitência:
O açoite com vara de bambu é aceito em forma de purificação.