Os idealizadores do site Falha de S.Paulo tiveram que retirar todo o conteúdo do ar para não correr o risco de desembolsar R$ 1.000 por dia. Curiosamente, a Folha conseguiu a liminar no dia 30 de setembro, quatro dias depois de publicar em sua primeira página um editorial com o título
“Todo poder tem limite”.
No caso da Falha, a Folha mostrou que não teve limite para usar seu poder. O jornal já enfiou um processo nos criadores do site, em vez de procurá-los para mostrar o descontentamento do jornalão com a sátira.
"A gente ficou muito inconformado, porque foi de uma incoerência atroz. A gente não tem advogado, a gente não tem nada! A gente nem viu o processo. É de uma violência absurdamente grande, totalmente incoerente com o que a própria Folha defende", declarou ao Portal Imprensa um dos criadores do site, o jornalista Lino Bochini.
A advogada da Folha, Taís Gasparian, alegou que o jornal não queria censurar o site, mas apenas impedir o uso indevido da marca Folha de S.Paulo. Uso indevido? Os caras apenas satirizaram uma marca, coisa que o colunista José Simão tem liberdade para fazer no jornalão da família Frias. Aliás, como bem lembrou o mano Fausto, do blog Boteco Sujo, quando o Simão foi vítima da mesma censura judicial por conta de uma piada que ele fez com a atriz Juliana Paes, a mesma advogada disse que a decisão do juiz tratava “o humor como ilícito e, no fim das contas, é a mesma coisa que censura”.
É justamente por causa da atitude censora da Folha de S.Paulo que, a partir de hoje, Mondo Cane, republicará parte do material da Falha de S.Paulo.

Atualização: Apesar de não ser político (deus que me livre), sou péssimo para cumprir promessas e não republiquei o conteúdo do Falha de S.Paulo. Mas nem foi preciso. De maneira criativa, os responsáveis pela sátira que incomodou o jornalão da família Frias retornaram com o site "Desculpe a nossa falha". Lá é possível conhecer o risível processo movido pela Folha de S.Paulo e ficar por dentro de todo o barulho causado pela brincadeira dos irmãos Bocchini.